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Evan Rachel Wood acusa Marilyn Manson de a ter violado à frente das câmaras

Tudo terá acontecido na gravação do videoclipe de "Heart-Shaped Glasses", em 2007. O músico nega tudo.
Há mais uma acusação contra Manson

Evan Rachel Wood tinha 19 anos e estava numa relação com Marilyn Manson, vinte anos mais velho. Quando o convite para aparecer no vídeo de “Heart-Shaped Glasses” foi feito, não hesitou. Wood surge com um par de óculos em formato de coração, a fazer lembrar “Lolita”, e durante os quase cinco minutos, acompanha o músico em várias cenas de sexo simulado.

Quase 15 anos depois, a atriz revisita o episódio que descreve como o “primeiro crime cometido” contra si por Manson. Fê-lo também no ecrã, durante a estreia do documentário “Phoenix Rising”, exibido no Festival de Cinema de Sundance, que relata a história da sua carreira.

O videoclipe do single de 2007 foi visto, revisto e esquecido. No entanto, Wood decidiu revelar o que realmente aconteceu nos bastidores. “Não foi nada do que eu achei que iria ser”, explica a atriz de 34 anos.

Antes de começarem a gravar, Wood foi convencida a tomar absinto, ao ponto de, diz a atriz, ter ficado quase inconsciente. No vídeo, é possível ver Manson a apalpar a zona genital da atriz e então namorada, num ato que termina com ambos deitados numa cama, sob uma chuva de sangue. Wood está sem roupa.

“Fizemos coisas que nunca me foram explicadas de antemão. Tínhamos falado sobre a cena de sexo simulado, mas assim que as câmaras começaram a rolar, ele penetrou-me. Nunca consenti que o fizesse”, revela no documentário.

Desse dia, Wood revela que foi “um caos completo”. “Não me sentia segura. Ninguém estava a tomar conta de mim.” “Fui coagida a ter sexo sob falsos pretextos. Fui essencialmente violada em frente a uma câmara.”

A versão de Wood parece ser corroborada por quem esteve no local. Segundo a “Rolling Stone”, que contactou alguns membros da equipa de filmagem, houve quem testemunhasse a violação. “Acredito que houve momentos de um ato sexual real”, diz a fonte anónima. “A equipa estava extremamente desconfortável”, explica, antes de acrescentar que a filmagem foi mesmo interrompida e que Manson e os produtores se envolveram numa discussão.

“Todos sabíamos com que tipo de artista estávamos a lidar, mas não estávamos ali para gravar um filme para adultos. Nunca vi nada assim na minha carreira. [O sexo] nunca é real.

Ainda sobre a experiência, Wood reforçou a insegurança e o clima de tensão. “Não sabia como me defender, não sabia dizer não porque fui condicionada e treinada a nunca responder e contrariar — tínhamos que resistir até ao fim”, conta. “Senti-me enojada por ter feito aquilo, por perceber que a equipa estava desconfortável e que ninguém sabia bem o que fazer.”

O documentário acompanha também o período turbulento da relação de Wood com Manson, como a atriz se isolou da família e como esse incidente foi apenas um de muitos vividos com o músico.

Imediatamente após a estreia, os advogados do artista manifestaram-se publicamente e acusaram Wood de mentir. “De todas as falsas acusações que Evan Rachel Wood fez sobre Brian Warner [nome verdadeiro do músico], este recontar dos bastidores do videoclipe de ‘Heart-Shaped Glasses’, feito há 15 anos, é o mais descarado e fácil de desmontar, porque existem várias testemunhas.”

“O Brian não teve sexo com Evan no set — e ela sabe que esssa é a verdade”, conclui o comunicado.

Segundo Wood, Manson controlava tudo. Até a forma como ela deveria descrever o videoclipe aos jornalistas. “Era suposto eu dizer que foi super romântico, mas não foi nada disso que aconteceu”, recorda. “Só que eu tinha medo de dizer algo que pudesse irritar o Brian. O vídeo foi apenas o início de uma violência que escalou com o avançar da relação.”

A relação durou três anos e terminou em 2010. Dez anos depois, no início de 2021, Wood finalmente ganhou a coragem para vir a público contar a sua experiência — e com isso abrir a porta para que outras mulheres lhe seguissem os passos.

No Instagram, a atriz acusou o músico de a seduzir quando ainda era uma adolescente e de a ter “abusado durante anos”. “Fui sujeita a uma lavagem cerebral, manipulada até à submissão.”

Um ano depois, a lista de relatos e de processos em tribunal acumulam-se contra Brian Warner e o seu comportamento, exposto num artigo de investigação da revista “Rolling Stone”, que em novembro de 2021 detalhava pormenores sórdidos do comportamento de Manson.

Entre eles, a cela insonorizada que criou para castigar e torturar psicologicamente as suas namoradas. A cabine estava no interior da sua casa decorada com “sangue, suásticas e recortes de revistas pornográficas”. Manson terá agora que enfrentar uma dúzia de acusações feitas por outras tantas mulheres em tribunal, apesar de continuar a negar todo e qualquer tipo de abuso.

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