cultura

Festival Asterisco regressa com três dias de arte radical e performances imersivas

A segunda edição acontece entre 3 e 5 de julho e leva espetáculos, oficinas e encontros a vários espaços culturais da cidade.

E se pudesse ouvir memórias transformadas em sons debaixo de água? Essa é uma das propostas da segunda edição do Festival Asterisco, que regressa ao Porto entre 3 e 5 de julho com três dias de performances, live art e experiências fora do comum.

O evento, que este ano adota o tema “estados transeuntes”, reúne sete artistas e coletivos de diferentes geografias e ocupa vários espaços culturais da cidade, do Museu de Arte Contemporânea de Serralves ao Bonfim. A programação cruza instalações, performances, oficinas, conversas e momentos de convívio, numa reflexão sobre migração, fluidez, transformação e pertença.

o Asterisco nasceu em março de 2023 pelas mãos de Aura e Hugo Veiga. Sediada no Porto, a estrutura define-se como uma “casa da experimentação” dedicada ao apoio de artistas e práticas artísticas menos convencionais. Desde então, tem promovido dezenas de iniciativas ligadas à criação contemporânea e à construção de redes de colaboração entre artistas, coletivos e comunidades locais.

Segundo Aura, diretora artística do projeto, esta edição surge “nas intersecções entre o underground e o institucional”, mantendo a identidade do festival enquanto explora experiências ligadas ao movimento, à transição e às mudanças que atravessam a vida contemporânea. O objetivo passa também por reforçar a ligação entre a cena cultural do Bonfim e contextos artísticos nacionais e internacionais.

O arranque acontece na sexta-feira, 3 de julho, em Serralves. A abertura está marcada para as 19 horas, seguida da apresentação de “Relics: An Eye Once Blind”, a nova criação ritualística de Joshua Serafin. A obra aborda temas como o esquecimento, a memória e os traumas deixados pelo colonialismo. A noite termina com um apéro que junta artistas, programadores e público.

No sábado, 4 de julho, a programação começa de manhã com uma oficina dedicada à ternura radical, orientada por Janne Schröder e Tabea. Durante a tarde há uma conversa aberta ao público e, ao início da noite, a artista Sol Santana apresenta “Transit”, uma performance-instalação que acompanha um corpo em constante deslocação entre identidades e geografias. Mais tarde, Joseph Morgan Schofield sobe ao palco da Central Elétrica com “with bare feet touching the sky I yearn”, um solo que explora desejo, luto e transcendência.

O último dia abre com a peça duracional “… AO QUE ISTO CHEGOU”, de Xana Novais, uma reflexão sobre o valor económico do corpo e da criação artística. Ao final da tarde, Carincur convida o público a mergulhar num universo sonoro aquático com “echos from a liquid memory”, experiência construída a partir de paisagens líquidas captadas através de hidrofones. O encerramento fica a cargo das Fylhas do Dragão, num DJ set que mistura cultura clubbing, teatralidade e celebração coletiva no JAM Porto.

Os bilhetes funcionam através de um modelo de doação livre. Em vez de um preço fixo, cada pessoa contribui com o valor que puder, numa tentativa de tornar o festival mais acessível e evitar que questões financeiras impeçam a participação. As reservas podem ser feitas através da bilheteira online do festival.

 
 
 
 
 
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