Uma pista de dança onde o corpo humano é colocado sob tensão. É assim que começa uma das propostas mais inesperadas da nova edição do DDD — Festival Dias da Dança. A performance “The Death at the Club”, da espanhola Candela Capitán, transforma o ambiente de uma discoteca num espaço de reflexão sobre o corpo e o movimento. O espetáculo apresenta-se a 8 de abril, no Coliseu Porto Ageas, e integra o arranque da programação desta edição, apresentada esta quinta-feira, 5 de março.
A proposta ajuda a perceber o espírito do festival, que regressa entre 8 e 19 de abril ao Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. O DDD chega este ano à 10.ª edição e volta a reunir artistas nacionais e internacionais num programa que inclui espetáculos, workshops, conversas e festas.
Ao longo de 12 dias estão previstas cerca de 50 apresentações, das quais 13 estreias absolutas e cinco estreias nacionais. A programação distribui-se por teatros, auditórios e espaços públicos das três cidades e aposta na diversidade estética da dança contemporânea e em diferentes formas de criação artística.
Desde a primeira edição, em 2016, o festival consolidou-se como um dos principais encontros internacionais dedicados à dança contemporânea em Portugal. O evento é organizado pela Direção de Artes Performativas da Ágora — Cultura e Desporto do Porto, em colaboração com os municípios de Matosinhos e Vila Nova de Gaia.
Ao assinalar dez anos de existência, o festival reforça também o seu papel na criação artística e na colaboração entre artistas e instituições culturais. “Assinalando dez anos de existência, e durante doze dias, o DDD converte o Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia numa grande capital da dança, afirmando a vitalidade da criação contemporânea e a capacidade de trabalho em rede no território”, afirma Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto. “Celebrar esta década é, sobretudo, renovar um compromisso: tornar o DDD sempre inicial, sempre novo, como desígnio para o presente e para o futuro.”
A edição deste ano distribui-se por 15 palcos diferentes, entre eles o Teatro Municipal do Porto — com o Rivoli e o Campo Alegre —, a Fundação de Serralves, o Palácio do Bolhão, a CRL – Central Elétrica, o Auditório Municipal de Gaia e o Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery. O festival regressa também ao Coliseu Porto Ageas e estreia-se em novos locais como o Palácio da Bolsa e o Teatro Helena Sá e Costa.
O arranque oficial acontece a 8 de abril, no Teatro Rivoli, com “Encruzilhada”, nova criação de Renan Martins para o Balé da Cidade de São Paulo. A obra parte da ideia de celebração como espaço de resistência e negociação coletiva.
No mesmo dia, além da performance de Candela Capitán no Coliseu, estreia-se no festival a dupla brasileira Davi Pontes e Wallace Ferreira com “Repertório N.1”. A peça apresenta-se no Pátio das Nações do Palácio da Bolsa e encerra uma trilogia que analisa mecanismos de brutalidade e procura desmontá-los.
Outros artistas também se apresentam pela primeira vez no DDD. A coreógrafa Chiara Bartl-Salvi apresenta “Heat Island”, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, enquanto Lisa Vereertbrugghen leva “Again Forever” à CRL – Central Elétrica.
Entre os artistas portugueses destacam-se várias estreias. Gio Lourenço e Sofia Berberan apresentam “Sobre o Fim”, uma peça que cruza movimento e reflexão sobre a relação entre humanos e plantas. A performer portuense Xana Novais estreia “How to Kill… For the Sake of Dying”, no Teatro Campo Alegre, uma criação centrada no corpo enquanto objeto e superfície de experimentação.
A programação inclui também o regresso de artistas que passaram por edições anteriores do festival. Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão apresentam “Quando vem a taciturna de limiar em limiar o presente frágil”, no Teatro Helena Sá e Costa. Já a coreógrafa marroquina Bouchra Ouizguen apresenta “Este Mundo”, em Serralves, numa criação para a companhia Dançando com a Diferença.
O Teatro Campo Alegre recebe ainda duas novas peças. Catarina Miranda estreia “FARSA”, enquanto Wura Moraes apresenta “Reverberações”. No Auditório Municipal de Gaia, a coreógrafa Luísa Saraiva leva ao palco o solo “Agora Baixou o Sol”, inspirado numa canção popular do noroeste português.
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Entre os regressos internacionais está também a coreógrafa brasileira Alice Ripoll, que apresenta “Adorno”, uma criação centrada na construção de identidades e na presença do outro no espaço performativo.
O diretor artístico do festival, Drew Klein, sublinha que a programação desta edição reflete diferentes caminhos da criação contemporânea. “Muitas das propostas desta edição fazem-nos olhar para o que nos trouxe aqui, outras projetam caminhos possíveis para o que vem a seguir e outras resultam de autorias partilhadas e responsabilidade coletiva”, explica. Para o responsável, esta diversidade mostra que a criação artística tende cada vez mais a nascer de processos colaborativos.
Klein acrescenta que cada espetáculo propõe uma experiência distinta para o público. “Cada espetáculo transporta-nos para um lugar diferente e esta abundância de possibilidades, aliada à rutura com ritmos habituais, abre novas formas de experienciar o mundo.”
A reta final do festival inclui ainda novas estreias. Jonathan Uliel Saldanha apresenta “AXIOM CASINO”, no Palácio do Bolhão, uma peça que transforma o espaço num dispositivo performativo. A companhia chinesa TAO Dance Theater leva ao palco “16 & 17”, um espetáculo em formato double bill que marca a estreia nacional da obra.
No Teatro Campo Alegre estreia-se também “sensível”, criação de Maurícia Neves com Ana de Oliveira e Silva, Jo Castro, Mara Nunes e Vera Martins. Já o coletivo Afrontosas apresenta “Bixa Bixo”, na CRL – Central Elétrica, uma performance que cruza questões de género, ecologia e identidade.
O encerramento do festival acontece a 18 de abril no Siloauto com a estreia nacional de “Tarab”, criação do francês Éric Minh Cuong Castaing em parceria com o músico Rayess Bek. A peça reúne intérpretes do Egito, da Palestina e do Líbano e inspira-se em danças tradicionais do Médio Oriente.
Além dos espetáculos, o festival inclui atividades paralelas ao longo dos 12 dias. A programação prevê workshops orientados por artistas convidados, encontros com programadores internacionais e residências de escrita dedicadas à crítica e reflexão sobre artes performativas.
O DDD mantém também a iniciativa Corpo + Cidade, dedicada a apresentações em espaço público com entrada livre. Este ano participam artistas como Flávio Rodrigues, Polina Skarga, Maksim Kunzetsov, Dinís Quilavei, Rafael Ferreira, ELLA HEART, Laura Barroso e Francisca Lima, com espetáculos distribuídos por vários locais do Porto, Matosinhos e Gaia.
Os bilhetes para os espetáculos podem ser comprados na bilheteira central do festival, no Teatro Rivoli, nas bilheteiras dos respetivos espaços ou online, com preços entre 7€ e 12€. Quem adquirir cinco ou mais bilhetes para espetáculos diferentes tem direito a um desconto de 50 por cento.

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