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Há um novo museu de fotografia no Porto. Tem 900 câmaras raras e photobooth

O fotógrafo Rui Teixeira transformou a sua paixão de décadas e a sua coleção na loja Vintage Cameras, na Rua de Santa Catarina.

Rui Teixeira tinha apenas 23 anos quando o destino lhe pregou uma partida curiosa. Um amigo, videógrafo, adoeceu e pediu-lhe que o substituísse num casamento. Rui não era profissional, mas sabia manusear a câmara que tantas vezes lhe emprestavam para filmar o filho mais velho. Aceitou o desafio, pegou no equipamento e, sem o saber, deu o primeiro passo de uma carreira que se prolonga há quase quatro décadas.

Hoje, aos 60 anos, Rui recorda com um sorriso muitos episódios desta vida atrás da objetiva. Um deles ficou gravado pela lição que lhe trouxe: “Há uns 35 anos, estava a filmar um casamento e, no momento das alianças, a noiva colocou o anel na mão direita do noivo. Alarmei-a, mas ele abanava a cabeça a negar. Insisti, até que me mostrou a mão esquerda — sem o dedo anelar. Foi a última vez que interferi em situações desse género”, conta, entre risos.

Ao longo do tempo, Rui tornou-se uma referência no registo documental de casamentos, acumulou prémios, formou uma família ligada à arte da imagem — com filhos fotógrafos, videógrafos e maquilhadoras — e conquistou a distinção de Master Qualified European Photographer. Mas faltava partilhar uma paixão paralela: o colecionismo.

Há cerca de 12 anos começou a comprar câmaras analógicas, primeiro pelos aparelhos em si, depois pela fascínio de os alinhar em prateleiras. Nos últimos dois anos e meio, o hobby ganhou outra dimensão, quando o portuense decidiu colocar à vista de todos, no centro do Porto, o que guardava nas caixas empilhadas na sua garagem.

A 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia, Rui e a família abriram o espaço Vintage Cameras Porto – Museum & Shop, na movimentada Rua de Santa Catarina.

“Nem em sonhos esperava criar um espaço desta envergadura. Catalogar quase 900 câmaras em oito idiomas, em apenas oito dias, foi uma aventura de loucos. Só com a ajuda da família foi possível”, revela o fotógrafo.

 
 
 
 
 
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O resultado é um espaço que junta loja e museu, capaz de atrair curiosos, turistas e apaixonados pela fotografia. Logo à entrada, há um photobooth inspirado nas cabines antigas, gratuito, que recria o ritual dos retratos analógicos. “A ideia partiu de uma das minhas filhas e de um amigo. Tornou-se um verdadeiro sucesso, sobretudo entre os mais jovens. Os sorrisos quando saem as fotos e os ‘uau’ ao entrarem na sala principal são das maiores recompensas”, admite.

Depois da cabine, abre-se uma sala com cerca de 600 câmaras expostas e outras 300 em stock. Estão divididas em 12 coleções organizadas cronologicamente, cada uma acompanhada por legendas e complementada pelo audiotour disponível em nove idiomas. É uma viagem que percorre mais de 170 anos de história, desde os pequenos modelos coloridos usados pela burguesia até máquinas lendárias como a Hasselblad 500C, que fotografou a primeira imagem da superfície da Lua.

Entre as peças mais raras, Rui destaca “uma câmara pintada à mão por um artista ucraniano” e “uma outra vendida há mais de 100 anos na Photo Bazar, no Porto”. Mas a joia da coroa pode muito bem ser uma Leica I de 1928, com número de série de apenas quatro dígitos, avaliada em 8.200€. “As mais especiais não estão à venda. Não me consigo desapegar delas”, confessa.

Ainda assim, o espaço funciona também como loja. Quem visitar o museu pode apaixonar-se por um modelo e, caso esteja disponível, levá-lo consigo. “A ideia é simples e inovadora. O visitante vê a câmara, gosta dela, e nós podemos ter uma igual, idêntica ou pelo menos da mesma época”, explica Rui. O lucro das vendas serve para reinvestir no espólio, comprando aparelhos cada vez mais raros e especiais.

O projeto nasceu em família, mas com ambição turística. Rui quer que o Vintage Cameras Porto se torne uma atração reconhecida da cidade. “O principal objetivo é ser um ponto de visita obrigatória para quem passa pelo Porto. Garantimos que será uma experiência inesquecível, seja sozinho, em casal, com amigos ou em família”, promete.

O espaço não se limita às câmaras nas prateleiras: já estão planeadas exposições temporárias, workshops e novas experiências. Entretanto, Rui continua a alimentar a coleção e a guardar histórias curiosas, como a reação de um jovem russo que, ao visitar o museu, ficou imóvel durante minutos diante de um modelo igual ao que o avô possuía. “Disse que o fez recordar-se imediatamente dele, foi um momento emocionante”, recorda.

Do passado ao presente, das fotografias de casamentos às prateleiras cheias de máquinas analógicas, Rui Teixeira cumpre agora o papel de guardião de um tesouro que já não cabe numa garagem. No número 1252 da Rua de Santa Catarina, todos podem viajar pela história da fotografia — e ainda sair de lá com um retrato acabado de sair da cabine.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo museu de fotografia do Porto.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de Santa Catarina, 47
    4000-442 Baixa
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 10h30 às 13h e das 14h30 às 19h

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