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Já fomos visitar a exposição de Frida Kahlo no Porto — e contamos-lhe tudo

A experiência imersiva é inaugurada esta quinta-feira, 10 de março, na Alfândega do Porto, onde ficará até ao final de agosto.
Fotografias de João Silva.

Já pode visitar no Porto a exposição “Frida Kahlo, A Vida de um ícone”, que chega esta quinta-feira, 10 de março, à Immersivus Gallery, na Alfândega do Porto. Resultado de uma parceria entre a Fundação Frida Kahlo Corporation, a galeria Ideal Barcelona e o estúdio criativo Layers of Realty, a exposição retrata a vida da artista.

Sim, é exatamente disso que se fala aqui, da vida de Frida Kahlo. Nesta exposição não vai encontrar as obras feitas por ela mas sim um percurso sobre a sua vida pessoal e artística, os acontecimentos mais marcantes e as suas particularidades.

“Desta vez quisemos focar a exposição sobre a vida, celebrar um artista e — mais do que um artista — neste caso, uma mulher que passou à história como uma lutadora, um grande ícone de luta, é nesse sentido que a exposição é desenvolvida”, começa por explicar à New in Porto o produtor executivo da Immersivus Gallery, Edoardo Canessa, continuando: “Pensamos que é uma personagem que de alguma maneira está na moda. Toda a gente sabe alguma coisa sobre a Frida, mas acho que as pessoas têm curiosidade de saber mais, de conhecer mais e de viver um pouco o espírito da Frida, que é o que vamos tentar fazer com a exposição.”

De facto, é mesmo isso que poderá encontrar na Sala da República, que está no primeiro andar o edifício da Alfândega do Porto. A visita começa com o Altar da Morte, uma tradição típica mexicana onde é possível apreciar vários elementos ligados a este tema como caveiras e esqueletos. Daí seguimos para um corredor ao longo do qual há vários painéis luminosos com textos e imagens que fazem um percurso sobre a história de vida da artista.

Entre algumas das curiosidades que os visitantes podem aí descobrir está o facto de a artista ter mudado a sua data de nascimento de 1907 para 1910, de forma a coincidir com o ano da revolução mexicana.

“Depois passamos para uma parte mais intensa, mais tocante da vida da artista, forte do ponto de vista emotivo, onde contamos o momento do acidente — a Frida Kahlo aos 18 anos teve um terrível acidente de autocarro onde ficou muito danificada, com várias lesões no corpo e contamos isso através de uma instalação com uma caixa multi layers.”

Isto quer dizer que o momento do acidente é representado através da sobreposição de cinco projeções diferentes, o que dá a sensação de tridimensionalidade à imagem apresentada. No fundo, é possível ver não só o que aconteceu a Frida mas também a tudo o que ela levava e o ambiente que a rodeava, nos momentos antes, durante e logo depois do acidente. A cena é acompanhada por sons de estilhaços, o que complementa a ação visível.

“A Frida dizia que nunca retratou o acidente porque não seria possível retratar isso com somente um quadro. De alguma maneira, interpretámos essa frase em vários quadros, vários layers de imagem”, diz Edoardo.

Daí os visitantes passam para uma representação do quadro “Hospital Henry Ford”, que retrata o período de convalescença da artista mexicana após o acidente. Desta vez, a cama está colocada na vertical e ligada aos vários elementos através de projeções detalhadas, que representam as suas dores.

Estes cenários mais dolorosos são a seguir substituídos por uma interação mais alegre onde estão representados os ícones gráficos associados ao universo gráfico de Frida Kahlo como as caveiras, os macacos, as folhas ou as flores. Recorrendo à projeção no chão e nas paredes e a um conjunto de espelhos, é possível ter uma ideia de mundo infinito que se abre aos pés dos visitantes numa interação visual.

Os símbolos mexicanos são uma constante na exposição.

Os miúdos não são esquecidos e têm por isso uma sala onde podem pintar um autorretrato da artista — um tipo de obra que ela própria produzia com regularidade — e vê-lo aparecer quase por magia projetado na parede da sala. Claro que os adultos também estão autorizados a entrar na brincadeira.

Antes de deixar esta parte da exposição, os visitantes são convidados a sentarem-se e colocarem uns óculos de realidade virtual onde é passada uma animação com a duração de cerca de nove minutos. Durante esse tempo, são levados numa viagem pelo mundo de Frida Kahlo que começa com a artista a cantar, segue com o olhar dela deitada na cama e percorre vários dos cenários do seu imaginário. Tudo isto acompanhado sempre pela música.

À saída, é possível ainda tirar uma fotografia ao estilo photomaton devidamente caracterizada com elementos da artista. Quem quiser, pode até fazer download da imagem e partilhá-la nas redes sociais.

A visita não está terminada sem ir às furnas subterrâneas da Alfândega, onde está a sala imersiva. Aí, é passado um vídeo com cerca de 30 minutos onde é possível conhecer mais sobre a vida da artista. Tudo isto num espaço de mil metros quadrados onde 15 tules e 50 projetores criam uma atmosfera única que rodeia os visitantes.

“É uma sala onde as pessoas andam livremente e tem vários capítulos que são introduzidos cada um com um poema escrito pela Frida. As pessoas vão viajar por esse mundo, por essa narrativa.”

O circuito é livre e o filme passa em loop para que cada um possa ver a exposição e senti-la à sua maneira, no seu tempo. Ainda que a estimativa de duração para a visita total seja de cerca de 1h15, cada um é livre de aproveitá-la como desejar.

No final da visita, quem quiser tem ainda a oportunidade de levar algumas recordações para casa. Numa pequena loja dedicada a Frida Kahlo há lembranças tão variadas como canecas, garrafas reutilizáveis, postais ou puzzles.

“Acho que é uma exposição diferente, uma maneira totalmente inovadora de conhecer a Frida para quem não conhece minimamente a história da vida dela e também para quem conhece, para tentar viver na pele o que é ser Frida Kahlo. Acho que é uma experiência que as pessoas não podem perder.”

A exposição “Frida Kahlo, A Vida de um ícone” vai estar no Porto até 28 de agosto, seguindo depois para Lisboa, onde deverá ser inaugurada a 29 de setembro. Pode visitá-la de quarta-feira a domingo, entre as 14h30 e as 19h30. Os bilhetes já estão à venda online e custam entre 10€ e 14€, havendo a possibilidade de juntar alguns packs com outras exposições da Immersivus Gallery.

Carregue na galeria para descobrir mais detalhes sobre a exposição.

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