Publicado em 1900, “O Feiticeiro de Oz” tornou-se um dos clássicos mais duradouros da literatura infantil. A história de L. Frank Baum segue Dorothy, a menina que é levada por um tornado para a terra fantástica de Oz e que, acompanhada pelo Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, percorre a icónica estrada dos tijolos amarelos em busca de um caminho de regresso a casa. Mais do que uma aventura mágica, o livro perpetuou a ideia de que a coragem, o amor e a sabedoria nascem sobretudo das relações que criamos — e não de poderes extraordinários. Ao longo de mais de um século, inspirou ilustrações, peças de teatro, filmes e gerações de leitores, tornando-se um símbolo universal da amizade e da descoberta interior.
Este ano, é precisamente essa magia que ilumina a montra de Natal da Livraria Lello. Desde 1 de novembro, quem passa pela Rua das Carmelitas depara-se com uma instalação artística inteiramente dedicada ao universo de O Feiticeiro de Oz, recriada em papel pela artista londrina Lydia Kasumi Shirreff. A convite da livraria, a criadora deu nova vida à mítica Cidade das Esmeraldas, transformando a fachada da Lello num cenário encantado que captura o momento em que Dorothy aterrissa num mundo onde tudo ganha cor e brilho.
“Um convite para trabalhar com a livraria mais bonita do mundo? Fiquei absolutamente encantada”, confessa Lydia. Entre maquetes, esboços e centenas de recortes em papel, a artista procurou transportar para a montra o tal deslumbramento que atravessa o livro e o filme, especialmente a transição do preto e branco para o Technicolor. “Quis trazer o ambiente colorido, o encanto infantil — o momento em que o mundo ganha cor”, explica. Trabalhos para marcas como Chanel, Vogue UK ou Harper’s Bazaar ajudaram a consolidar o estilo poético e meticuloso que agora se revela na Lello.
A instalação tem, porém, um propósito que vai além da celebração natalícia. As novas montras marcam o arranque da campanha “Lemos a Meias?”, uma iniciativa da livraria que pretende combater o isolamento social através da leitura partilhada. O projeto teve o seu primeiro momento público esta terça-feira, com o anúncio de um clube de leitura dedicado a pessoas mais velhas, que se reúnem semanalmente para ler, conversar e criar laços.
“Num tempo em que a solidão é reconhecida como uma epidemia global, acreditamos que ler é um gesto profundamente humano e um antídoto silencioso contra o isolamento”, afirma Francisca Pedro Pinto, Head of Brand and Creative Business Development da Livraria Lello. Ao inspirar-se no percurso de Dorothy e dos seus companheiros, a livraria sublinha a ideia de que nenhum feiticeiro concede aquilo que a amizade já oferece — companhia, coragem e a sensação de pertença.
Fundada em 1906, a Livraria Lello continua a reforçar o papel dos livros como espaço de encontro e transformação. As montras são apenas o primeiro capítulo da campanha, que será revelada nos próximos meses e pretende aproximar ainda mais a comunidade da leitura como prática partilhada.
Até lá, permanece o convite: seguir a estrada dos tijolos amarelos até ao número 144 da Rua das Carmelitas e deixar-se guiar pela magia que nasce quando a literatura encontra a cidade.

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