Era 1518 quando o rei D. Manuel I mandou construir o Mosteiro da Avé Maria ou da Encarnação das monjas de São Bento, dentro dos muros da cidade do Porto. No final do século XIX, o edifício que albergou as freiras beneditinas foi demolido para dar lugar um século depois aquela que é considerada uma das estações ferroviárias mais bonitas do mundo. Os arcos do antigo mosteiro foram mantidas na construção da estação.
Na passada terça-feira, 13, o Museu Nacional Soares dos Reis acolheu a exposição temporária “Vozes Pétreas: Fragmentos da Memória do Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria”, realizada em colaboração com o Mestrado em Museologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Esta mostra propõe-se recuperar e dar voz aos fragmentos da memória do antigo mosteiro. Assume-se como um “laboratório experimental” onde os jovens investigadores do mestrado aplicam os conhecimentos adquiridos em contexto académico à prática museológica.
A mostra é ainda o resultado de um esforço do Museu Nacional Soares dos Reis em “estreitar relações” e aproximar-se das comunidades patrimoniais e apoiar a formação de novos profissionais no domínio da museologia. “Este projeto permite que o Museu se posicione como parceiro de primeira linha na formação de novos profissionais e garanta a disponibilidade dos seus recursos para a cooperação institucional, estimulando as novas gerações a afirmarem-se como públicos participativos do Museu”, defende António Ponte, diretor do museu.
Nesse sentido, a mostra é uma estratégia do Museu em consolidar-se como um espaço de laboratório e investigação para reforçar o seu papel junto das instituições académicas e utilizar as coleções museológicas não apenas como documentação, mas como ferramenta para projetos experimentais e de aprendizagem.

Os alunos-curadores destacaram no momento da inauguração que este projeto é uma “oportunidade única de resgatar a memória histórica do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria e valorizar o nosso património coletivo”, trazendo à luz peças até agora desconhecidas pelo público. Entre os destaques da exposição figuram uma escultura de São Bento datada do século XVIII, uma grilheta monástica que serve como testemunho material da clausura dos religiosos do mosteiro.
Pode ainda encontrar duas cruzes peitorais, usadas pelas freiras do convento, bem como um conjunto de fotografias históricas raras que ilustram a cronologia do antigo convento e a sua posterior transformação na Estação Ferroviária de São Bento.
“Estas peças conferem à mostra um caráter simultaneamente evocativo e documental, ligando o património material (objetos e edifícios) à memória imaterial da cidade”, defendem os alunos.
A mostra vai estar patente até 8 de junho. Pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 10 e as 18 horas. O bilhete para visitar o Museu custa 10€. Pode ser comprado online ou na bilheteira local. Recorde-se que cidadãos nacionais ou residentes em território nacional têm entrada gratuita em qualquer dia da semana até ao limite de 52 entradas por ano.
A estação de metro dos Aliados fica próxima do Museu Nacional Soares dos Reis.

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