Nos primeiros meses depois da abertura, em março de 2025, o cenário repetia-se com frequência. Entre rodas de oleiro e prateleiras em constante mudança, o mais comum era ver alguém entrar no doBarro apenas para “dar uma vista de olhos” e, sem dar por isso, já estar sentado à mesa, a conversar ou a moldar barro com as mãos. A cena tornou-se uma prática recorrente e em menos de um ano, o estúdio e loja de cerâmica foi distinguido como Melhor Espaço Cultural do Porto, na terceira edição dos Prémios NiP 2025.
“Receber este prémio tem um significado muito especial para nós. Sendo um projeto ainda recente, sentimos que este reconhecimento mostra que o doBarro já conseguiu criar presença e ressonância na cidade”, explicam os artistas fundadores. Para a equipa, a distinção não se foca numa técnica ou material em específico, mas reconhece a proposta do espaço: tornar a criação artística mais acessível e integrada no dia a dia.
O projeto nasceu da vontade de três artistas — Marisa Grilo, Felipe Rocio e Samuel Sanção — em criarem um espaço que fosse oficina e ponto de encontro. Marisa, formada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, trabalha sobretudo cerâmica e gravura. Felipe, artista brasileiro com formação em Artes Visuais, tem experiência na área da educação artística e no trabalho com crianças. Samuel é ilustrador e designer, com trabalhos em livros, banda desenhada e jogos de tabuleiro. O trio conheceu-se em contexto académico e sentiu a falta de um local adequado para trabalhar e ensinar.
O balanço de 2025 é “muito positivo”. Desde a inauguração, o doBarro recebeu todo o tipo de visitantes, desde quem nunca tinha tocado em barro, a artistas em busca de partilha, famílias, turistas ou vizinhos da zona. “Essa diversidade mostrou-nos que havia interesse no Porto por um lugar como este”, referem. O tempo que muitos acabam por passar no espaço — mais do que o inicialmente previsto — tornou-se um dos sinais de que o projeto estava no caminho certo.
O doBarro divide-se em loja, estúdio e um pequeno terraço onde está instalado o forno de cerâmica. Na programação fixa incluem-se workshops como oficina livre, pintura de peças, murais de azulejos, impressão em cerâmica e técnica japonesa de Nerikomi. Também há sessões de ilustração como o Kitchen Painting — Tetrapack Edition e de cianotipia. As atividades duram entre duas e três horas, com preços entre os 35€ e os 60€, e não exigem experiência anterior.
“Acreditamos que este prémio reflete uma mudança na forma como a cidade olha para a arte, mais próxima do quotidiano e menos colocada num pedestal”, sublinham. Para 2026, o objetivo é continuar a ajustar a oferta com base no que escutam do público e criar novas colaborações, sem perder o foco nos processos criativos e no ensino.
Os workshops não exigem número mínimo de participantes e as marcações podem ser feitas online . Carregue na galeria para conhecer o espaço e o trabalho dos artistas.

LET'S ROCK






