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O mítico Swing está de volta. Chama-se Switch e quer voltar a revolucionar a noite do Porto

O espaço esteve fechado mais de dez anos. Reabriu com nova identidade, investimento de centenas de milhares de euros e uma ambição maior do que ser apenas uma discoteca.

Durante mais de uma década, o espaço que em tempos foi o coração da noite portuense, manteve-se em silêncio. Para várias gerações de portuenses, o Swing não era apenas uma discoteca. E a 9 de maio, o inconspícuo espaço, escondido sob as arcadas do Parque Itália, voltou a abrir. Tem um novo nome, uma nova imagem e uma nova visão para a noite da cidade.

O antigo Swing renasceu como Switch Club, projeto que pretende recuperar um dos endereços mais marcantes da noite portuense, mas sem viver preso à nostalgia. O objetivo passa por construir uma nova identidade, adaptada à forma como o público vive a música em 2026.

“Queríamos respeitar o passado sem tentar copiá-lo. O Porto mudou, a noite mudou, o público mudou e a forma de viver um clube também mudou”, explica Ruben Domingues, diretor artístico do projeto.

À frente do Switch está uma equipa com experiência acumulada em alguns dos projetos mais conhecidos da cena nacional. Ruben Domingues, de 41 anos, fundou a RDZ Music Agency, é cofundador do Festival Elétrico e foi gerente e programador do Indústria Club durante quase uma década. Junta-se-lhe Carlos Toga Machado, ligado a espaços como Pitch, Base, Torto, Easy, Pacha Ofir e Grupo Eskada. Já Pedro Machado, proprietário do imóvel, permitiu a recuperação integral do espaço.

A ligação ao antigo Swing também tem um lado pessoal. Ruben Domingues recorda que foi precisamente ali que organizou o seu primeiro evento enquanto promotor, em 2006. “Voltar agora a este espaço tem um lado muito simbólico. Não é apenas recuperar um local histórico da cidade, é regressar a um sítio onde começou parte do meu percurso.”

A transformação demorou cerca de um ano e obrigou a uma intervenção profunda. A equipa prefere não revelar o valor exato investido, mas admite que o montante ascendeu a várias centenas de milhares de euros. O trabalho foi muito além de uma renovação estética: foram revistas infraestruturas, acessos, sistemas de som e luz, circulação, segurança, climatização e acústica.

O projeto arquitetónico ficou a cargo de Sérgio Rebelo, que procurou preservar algumas marcas da história do local enquanto introduzia uma linguagem mais contemporânea. Um dos exemplos mais curiosos está debaixo dos pés dos visitantes. Em vez de remover o antigo chão do Swing, a equipa decidiu transformá-lo num dos elementos centrais da nova identidade visual do clube. Cada quadrado foi trabalhado individualmente num processo que envolveu quase cinco quilómetros de cabos.

 
 
 
 
 
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A experiência foi desenhada como um percurso. O espaço tem capacidade para cerca de 600 pessoas e começa num bar superior, pensado para cocktails e uma programação mais descontraída, onde podem ouvir-se géneros como jazz, downtempo ou world music. Depois surgem as escadas históricas do antigo Swing, que conduzem à pista principal, o coração do clube. Mais afastada da intensidade da dança, existe ainda a Red Room, uma zona criada para descansar, conversar ou simplesmente fazer uma pausa durante a noite.

Mas os responsáveis insistem que o Switch não quer ser apenas mais uma discoteca. A ambição passa por transformá-lo num hub cultural, capaz de receber concertos, residências artísticas, conversas, showcases, escutas comentadas e outros formatos criativos. A própria cabine da pista principal foi desenhada para poder ser removida e dar lugar a um palco para atuações ao vivo.

“Queremos que o Switch seja mais do que um espaço de noite. O objetivo é criar um ponto de encontro para diferentes áreas criativas, mantendo sempre a música como centro”, explica Ruben Domingues.

A programação será construída em torno da música de dança, sobretudo das várias vertentes do house, mas com uma abordagem que procura cruzar diferentes gerações. A estreia dos norte-americanos Deep Dish marcou uma das primeiras grandes datas da nova fase do clube. Pelo caminho deverão passar nomes históricos da eletrónica, mas também artistas emergentes. Algumas apresentações de artistas convidados são de entrada gratuita, outras exigem bilhete, que custa, em média, 10€.

A reação dos antigos frequentadores do Swing não tardou. Segundo a equipa, muitos dos visitantes que passaram pelas noites de pré-abertura regressaram ao espaço movidos pela curiosidade e pela memória. Encontraram as mesmas escadas, a mesma atmosfera subterrânea e a mesma sensação de entrar num lugar especial da cidade. Encontraram também um clube completamente diferente daquele que conheceram nos anos 80 e 90. “Esperamos que quem viveu o Swing sinta que a alma do espaço continua presente, mas que perceba também que o Switch pertence a outro tempo e quer construir o seu próprio caminho”, resume o responsável.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Júlio Dinis, 766
    4050-101 Massarelos
  • HORÁRIO
  • Sexta-feira a domingo das 22h às 6h

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