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O novo mural portuense junta flores, viagens e até uma sopa de letras dedicada à avó

Sete artistas urbanos deram uma nova vida à zona, localizada entre a parte alta da cidade e a marginal junto ao Douro.
Uma homenagem à avó.

Nos últimos anos, a empresa municipal Ágora tem sido a responsável pela dinamização da arte urbana pelos vários cantos da cidade. Ainda no passado mês de dezembro, foi inaugurado um novo mural, no alto dos Guindais, que é uma homenagem à tradição portuense. Para dar as boas-vindas ao novo ano, foi divulgado o mais recente projeto que envolveu sete artistas locais.

A partir de uma cor pré-definida, o lilás, a cidade ganhou outra vida graças à intervenção nas paredes do Mural da Restauração. O desafio lançado pela Ágora resultou numa nova composição no espaço localizado a meio caminho, entre a parte alta da cidade e a marginal junto ao Douro.

Sete artistas urbanos abraçaram o desafio com os dois braços — e mais alguns, tendo em conta a dimensão do espaço —, o resultado é uma montra colorida, que junta diversas visões do mundo e da cidade.

Entre os artistas convidados, destaca-se Mura, que tem um especial interesse pela botânica e que, ainda no verão, apresentou uma nova espécie na Baluarte, no Quartel de Monte Pedral. A intenção da artista era desenhar uma representação real das “glórias da manhã”, flores na cor violeta, que é considerada uma espécie de flor invasora, que ocupa espaços abandonados e cresce de forma livre.

Para seu grande espanto, quando chegou ao local destinado ao desenho, tinha no fundo, a flor que tinha pensado pintar, no meio de outras plantas. Já Yuri decidiu destacar a cor característica de estruturas mecânicas (o cinza metálico) no meio do fundo violeta. O resultado foi um emaranhado metálico, sem início nem fim, com uma perspetiva tridimensional.

Por sua vez, Theritch quis através da sua arte cor de rosa, alertar para o poder da cultura e não tanto o que este ramo quer fazer acreditar, mas antes o que pode fazer sentir a cada pessoa. Telma e Rafael decidiram juntar as suas artes para expor, em conjunto, uma narrativa que consegue expressar-se, também, através de flores.

Da Madeira à Venezuela, Teresa pinta malas que trazem um pouco do mundo ao Porto. Estas malas têm rodas, mas também janelas que juntam a história pessoal de emigração da artista, assim como de muitas outras pessoas.

Joana, por outro lado, quis homenagear a avó através de uma sopa de letras. Afinal de contas, esta é a grande memória que guarda desde miúda. Esta sopa de letras brinca com a intemporalidade e com o efémero, junta palavras típicas portuenses e ainda um QR code para quem quiser fazer a sopa de letras virtual.

De seguida, carregue na galeria para ver com mais pormenor o trabalho de cada artista no novo mural da cidade.

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