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Os 50 anos do 25 de Abril no Porto vão celebrar-se com música, poesia e cinema

Um dos destaques vai para o espetáculo de videomapping na Avenida dos Aliados, com a presença de Rodrigo Leão, Alfredo Cunha e Vhils.
A programação inclui atividades para todas as idades.

Considerando-se uma cidade democrática, 50 anos depois dos acontecimentos do 25 de Abril, o Porto continua a reclamar “Revolução, Já!”. Para assinalar a data, a cidade propõe um programa de pensamento, mas também de criação artística e literária, com a participação do público.

A iniciativa, que tem como comissariados Jorge Sobrado e José Augusto Bragança de Miranda, procura inscrever a ideia e a experiência de revolução num sentido de emergência e futuro. Sobre as festividades, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, avançou que não será realizada nenhuma sessão solene na cidade. “Vamos celebrar todos, ser todos iguais, como é próprio de uma revolução. Vamos celebrar na rua, em todo lado”.

“É celebrar Abril da forma que Abril merece ser celebrado. As comemorações deste dia, na cidade, são sempre celebrações que nos entusiasmam, ao contrário de outros locais onde são extremamente maçadores e bastante previsíveis”, admitiu no Palacete dos Viscondes de Balsemão, na apresentação da programação, que decorreu no dia 15 de fevereiro. 

Na mesma cerimónia, o autarca sublinhou que a revolução tem uma forte ligação à cultura, tendo sido esse o “norte” para a programação no Porto, apresentada na Praça Carlos Alberto, local onde o general Humberto Delgado, candidato presidencial antirregime, teve, em 1958, uma receção apoteótica da parte dos portuenses. “O programa dos 50 anos é muito diferenciador, mostrando como no Porto a cultura continua a estar no epicentro”, acrescentou. 

Jorge Sobrado, comissário e diretor do Museu e Bibliotecas do Porto, referiu que o programa assenta em três pilares: poesia, imagem e imaginários, e pensamentos contemporâneos. “’Revolução, Já!’, surgiu do “desejo de ação, de reinscrever o pensamento, o sonho no nosso campo de trabalho e no tecido social cívico da cidade”, admite.

Já José Bragança de Miranda admitiu acreditar que “não seria possível fazer um programa destes, ambicioso, em muitas cidades do País. Pensar 50 anos não é revisitar o 25 de Abril. É pensar o que fizemos e pensar o futuro. É pensar o que é isso de revolução”.

Um dos principais destaques do programa é o regresso do Fórum do Futuro, com dez conferências sobre revoluções em curso, com pilares na filosofia, na história, na ciência e na teoria política. A poesia terá também destaque nas comemorações, através de um convite feito a 50 autores para criarem um poema inédito. O objetivo é, para além do lançamento de uma publicação, “pulverizar” frases poéticas pela cidade.

O cinema também faz parte das atividades, com o ciclo “Outras Revoluções”. O Cineclube do Porto vai ter ainda patente a exposição “Cinema de Revolução”. Na Casa do Infante será possível aceder ao acervo de periódicos da Revolução e a filmes de época.

Já no Batalha Centro de Cinema, entre 16 de março e 28 de abril, decorre o ciclo temático “Se o Cinema é uma Arma”, composto por filmes que, ao denunciar opressões, se transformam em importantes atos de resistência. Ainda no Batalha, no dia 24 de abril, o centro mostra que “O Cinema Unido Jamais será Vencido”, com uma seleção de filmes criados pelas cooperativas mais ativas no período revolucionário, mas também uma animação mais recente sobre “a longa noite do fascismo”.

Durante o ano, os Cursos Breves da Biblioteca Municipal Almeida Garrett vão abordar as diversas revoluções que mudaram o mundo, a ficção portuguesa e a música de protesto, enquanto o programa “Um Objeto e seus Discursos” vai dar a conhecer a estátua do General e a antiga sede da PIDE no Porto.

Os 50 anos do 25 de Abril vão ter ainda intervenção musical, com a exposição “Destruir o Silêncio” e concertos de música portuguesa, francesa e russa que vão ter lugar no Museu Romântico e no Museu Guerra Junqueiro. A revolução passa também pela Fonoteca, com um “Escuta Ativa” com o historiador Manuel Loff. A Concha Acústica dos Jardins do Palácio de Cristal recebe o espetáculo “Abril Febril” e no âmbito do Cultura em Expansão, a Associação de Moradores da Bouça recebe Luca Argel e o Grupo de Cante Alentejano do Orfeão Universitário do Porto.

Já na Avenida dos Aliados, na noite de 24 de abril, um espetáculo de videomapping dá início às comemorações, em colaboração com a Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril e a RTP, que junta o fotógrafo Alfredo Cunha, o músico Rodrigo Leão e o artista plástico Vhils. O espetáculo inclui ainda um projeto musical e literário de artistas locais e um momento de fogo de artifício.

Como é habitual, a manhã é dedicada aos mais novos com atividades para famílias e a tarde de dia 25 oferece música. A STCP junta-se às comemorações com uma programação do Serviço Educativo no Museu do Carro Elétrico. No dia 6 de abril, para “Famílias Elétricas” tem lugar a iniciativa “Um museu a mentir”, a 13 acontece a visita encenada “Os sentidos de Abril”, a 19 uma visita ao espaço com direito a performance e no dia 24 “Liberdade a duas vozes” proporciona uma visita noturna ao Museu.

Ainda no Museu, entre os dias 23 e 28 há “Poemas em linha”, uma ação de poesia interventiva nas linhas do carro elétrico. A operadora vai lançar um projeto de partilha de memórias de trabalhadores da STCP, ao serviço no 25 de Abril de 1974. O programa completo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril no Porto pode ser consultado online.

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