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IndieJúnior está de regresso ao Porto em janeiro com propostas para todos

A 8.ª edição do festival propõe uma alargada oferta, que vai desde oficinas a sessões de cinema, com foco no tema da liberdade.
O 25 de Abril é o grande destaque do festival.

No ano em que se assinalam os 50 anos da Revolução de Abril, está de regresso ao Porto o Festival Internacional de Cinema Infanto Juvenil, marcado pelo tema da liberdade. O programa pretende promover um debate alargado, dentro e fora das salas, sobre o lugar da democracia, a sua construção e a execução do projeto de Abril no Portugal de hoje.

“De facto, com o celebrar dos 50 anos do 25 de Abril fez todo o sentido termos uma programação que refletisse onde estamos desde 1974 e sobre o que é podemos refletir num contexto de cinema num público mais infantil e jovem. O foco da liberdade no cinema vai ajudar-nos a refletir este pensamento em todas as idades, desde o que se passava antes do 25 de Abril, ao conceito mais amplo de democracia e liberdade”, começa por explicar Irina Raimundo, diretora do festival.

A 8.ª edição do IndieJúnior vai realizar-se em vários locais da cidade, com cinema, oficinas e outras atividades destinadas a bebés, miúdos e adultos. A ideia é mesmo que as propostas agradem às famílias e ao público em geral. “Quanto às atividades paralelas, vamos ter conversas com cineastas e realizadores, um filme-concerto, oficinas e outras dinâmicas mais leves, adaptadas a todas as idades, que vão ajudar-nos a falar sobre a democracia e a sociedade em que vivemos”, acrescenta.

No campo do cinema, o destaque vai para o “Foco Liberdade”, programa que inclui três sessões de curtas metragens e uma longa metragem. As sessões integram a curta de animação “O Casaco Rosa”, da autoria de Mónica Santos, onde é explorado o assassinato do general Humberto Delgado. Segue-se “A Noite Saiu à Rua”, de Abi Feijó, uma animação panorâmica sobre uma aldeia dominada pela tirania. Em “Balada de um Batráquio”, de Leonor Teles, será explorado o comportamento xenófobo enraizado na cultura portuguesa.

Para complementar as sessões, poderá assistir à produção “O Cravo e A Liberdade”, filme evocativo do 25 de Abril, realizado por alunos da EB 2,3 das Caldas de Taipas e “48”, de Susana Sousa Dias, uma longa metragem que parte de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), para mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar. Estas sessões serão mediadas por convidados para dar contexto aos filmes em exibição.

O habitual espaço de filme-debate não poderia ser deixado de fora. Em parceria com a Mochila Cultural PNA, o IndieJúnior Porto apresenta “Verão 2000”, um conto íntimo e delicado que será o ponto de partida para uma conversa sobre os comportamentos sociais esperados com base na identidade de género e sobre a definição de limites nas relações íntimas. A sessão terá lugar a dia 25 de janeiro, pelas 11 horas, na Casa Comum da Reitoria da UP. 

Destinada aos mais pequenos, o Cinema de Colo volta a ocupar o Novo Ático do Coliseu do Porto. Ao todo são sete sessões nos dias 27 e 28 de janeiro, sábado e domingo, que propõem um espaço seguro e confortável, habitado por projeções coloridas e uma cenografia especial, que estimula os sentidos dos miúdos entre os seis meses e os três anos. No mesmo espaço e data, será realizada a oficina “Entre Poças e Borrifos”, destinada a bebés entre um e dois anos, que trabalha com água, cor, imagens em movimento, som e outros elementos sensoriais para despertar sensações e risos.

Para um público mais adulto, o Maus Hábitos junta-se ao festival. Nesse âmbito, na quarta-feira, 24 de janeiro, está prevista uma sessão de cinema à mesa pelas 21 horas. Com entrada gratuita, a iniciativa propõe um encontro entre os nossos pratos favoritos e quatro curtas metragens entre a ficção e animação, que exploram questões sobre o corpo. Destinada a jovens a partir dos 12 anos, esta sessão reflete sobre a fase de transição que é a adolescência e como é que podemos lidar com as imposições sociais que chegam de todos os lados: da família, dos amigos, da escola e de nós próprios.

O programa encerra com a presença de Wandson Lisboa, no âmbito da secção “O Meu Primeiro Filme”. “Toy Story: Os Rivais” vai ser exibido no sábado, dia 27 de janeiro, pelas 16h45, no Batalha Centro de Cinema. A sessão contará com legendas descritivas e língua gestual portuguesa.

No último dia do festival, domingo, 28 de janeiro, pode contar com a icónica Matiné Dançante, na cafetaria do Batalha Centro de Cinema. A iniciativa pretende ser um momento de convívio entre espectadores, realizadores, convidados e equipa do festival, com direito a DJ set da Miss Playmobil e bolas de espelhos.

Segue-se depois o filme-concerto, “Sons da Liberdade”, na Sala 1 do espaço, onde o duo feminino O Som do Algodão junta histórias e música, corpo e palavra, num espetáculo em que a exploração sonora e narrativa emolduram a projeção de dois filmes particulares: “Pela Primeira Vez”, documentário de Júlio Cortázar sobre a primeira ida ao cinema de um grupo de camponeses, e “O Evadido”, de Charlie Chaplin.

De 22 a 28 de janeiro, segunda-feira a domingo, o IndieJúnior passa pelo Batalha Centro de Cinema, pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett, pela Casa das Artes, pelo Coliseu Porto Ageas, pelo Maus Hábitos e pela Casa Comum da Reitoria da UP. Os ingressos para as sessões poderão ser comprados nas bilheteiras de cada espaço. A programação completa do IndieJúnior está disponível online. Não se esqueça que a estação de metro dos Aliados fica próxima de todas as salas que recebem o festival de cinema.

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