cultura

Plutónio aqueceu uma noite fria no MEO Marés com um concerto explosivo

O rapper levou Lon3r Johny e Richie Campbell ao palco, revelou um novo álbum para este ano e voltou a conquistar o festival.

A habitual nortada esfriou o ambiente na Praia do Aterro, mas Plutónio precisou apenas de alguns minutos para aquecer o ambiente na primeira noite do MEO Marés, que se estreou esta sexta-feira, 17 de julho, numa nova localização em Leça da Palmeira. E o esperado aconteceu: o rapper agitou a plateia com a ajuda de dois convidados especiais e mereceu uma vénia coletiva no final do espetáculo.

Passavam dois minutos da hora marcada quando as luzes do Palco MEO se apagaram. O fumo começou a espalhar-se pelo cenário e os últimos festivaleiros aceleraram o passo, guiados pelos gritos dos que chamavam pelo rapper. Os primeiros acordes chegaram acompanhados por uma luz vermelha e por uma introdução que apresentava o músico oriundo do Bairro da Cruz Vermelha, em Cascais.

Ao centro encontrava-se um trono, um dos principais elementos da produção visual dominada por tons de vermelho, roxo e branco. A voz de Plutónio começou a ouvir-se antes de o artista aparecer. “Luxemburgo” abriu o alinhamento. A música ainda não tinha chegado ao fim e já havia centenas de braços no ar, enquanto Plutónio percorria o palco de uma ponta à outra. A reação intensificou-se com “Lisabona”, apresentada depois de o rapper se aproximar do trono e voltar a saudar o recinto.

“Marés Vivas, antes de mais, obrigado a todos por estarem presentes. Sempre que venho ao Porto, vocês fazem-me sentir em casa”, afirmou antes de interpretar “Casa Melhor”. À frente do palco, continuavam a chegar pessoas, muitas delas a dançar para combater o frio provocado pelo vento marítimo.

Seguiram-se “6AM em Paris”, “Montanha” e “1 de Abril”, temas em que as histórias de ambição, sobrevivência e conquista. A energia pouco abrandou, apesar da descida da temperatura, e o rapper aproveitou uma pausa para revelar que está a preparar um novo álbum, previsto para este ano. O próximo grande passo da carreira já está igualmente marcado: a 5 de junho de 2027, atuará no Estádio José Alvalade, depois de ter esgotado duas noites na MEO Arena em 2025.

“Quem é que já ouviu? Quero agora eu, a guitarra e vocês. Pode ser, Marés Vivas?”, perguntou antes de interpretar “País das Maravilhas”. O recinto respondeu num só coro. Depois de uma breve “aula de geografia” com “Mapa Cor-de-Rosa”, chegaram “Déjà Vu” e “Última Vez”, encerrada com um solo de bateria.

plutónio
Créditos de imagem: Miguel Oliveira / MEO Marés.

“Acordar” ajudou a dar outra dimensão à festa. “Por Enquanto” manteve o ritmo e “Meu Deus” proporcionou o momento mais intimista possível num concerto do género, com as lanternas dos telemóveis erguida.

Plutónio pediu depois um aplauso para a banda e explicou que Dillaz não estava presente para interpretar “Alô”. A tarefa de preencher a parte do convidado ficou entregue ao público, que cumpriu sem hesitar e transformou o recinto numa pista de dança. “Piña Colada” e “UH LA LA LA” prolongaram o ambiente antes da primeira surpresa.

Lon3r Johny juntou-se a Plutónio em “25 de Abril”, provocando uma das maiores reações da noite. Pouco depois, o rapper recordou que tinha apresentado “C’est la vie” pela primeira vez no Porto e chamou Richie Campbell ao palco para a segunda interpretação ao vivo do tema na cidade. “Vocês sabem o que o meu mano Richie representa na minha vida. Quero ouvir barulho para ele”, pediu.

João Ricardo Azevedo Colaço, de 41 anos, começou a rimar no início dos anos 2000 e integrou o grupo Atóxicos antes de seguir carreira a solo. Lançou o primeiro álbum de originais em 2013 e construiu um percurso entre o hip hop, o trap, o R&B e o afrotrap, com letras marcadas pelas vivências do bairro e pelas raízes moçambicanas. Também não foi a estreia do artista no festival. Em 2019, atuou no Bloco Moche do então MEO Marés Vivas, ainda em Vila Nova de Gaia.

Já perto do fim, “Somos Iguais” e “Interestelar” prepararam o terreno para “Cafeína”. Plutónio dividiu a plateia entre o lado esquerdo e o direito para descobrir qual cantava mais alto, mandou todos baixarem-se e deu ordem para saltarem no regresso do último refrão. O público obedeceu.

Depois do último coro, os convidados, a banda e os restantes músicos reuniram-se em palco. Abraçados e voltados para a multidão, fizeram uma vénia conjunta. Foi o agradecimento final de uma noite em que Plutónio aqueceu o primeiro dia do palco principal do MEO Marés e mostrou que, mesmo à beira-mar, uma boa festa de rap não se deixa vencer pelo frio.

O primeiro dia do MEO Marés continua esta sexta-feira com um dos momentos mais aguardados da edição: o regresso dos Da Weasel ao festival, desta vez acompanhados por uma orquestra dirigida por Rui Massena, recuperando o espetáculo “Da Weasel Goes Symphonic”. O cartaz prossegue no sábado, 18 de julho, com atuações de Vizinhos, Diogo Piçarra, Seal e James, enquanto o último dia, domingo, fica entregue a Soraia Ramos, Calema, Danny Ocean e Ozuna, que encerra a estreia do festival na Praia do Aterro, em Leça da Palmeira.

Os bilhetes continuam à venda online e nas lojas MEO. Os passes gerais e o domingo já se encontram esgotados, enquanto para sábado ainda têm disponibilidade, por 50€.

Carregue na galeria para (re)viver os melhores momentos do concerto do Plutónio no MEO Marés.

ARTIGOS RECOMENDADOS