Quando o sol se põe e o calor do dia começa finalmente a dar tréguas, há um dos recantos mais bonitos do Porto que se volta a encher de música. Junto do Lago dos Cavalinhos, nos Jardins do Palácio de Cristal, o jazz regressou ao ar livre para mais uma edição do Porta-Jazz ao Relento, um ciclo que há 16 anos celebra o talento da cena jazzística portuense com concertos gratuitos em pleno coração da cidade.
A edição de 2026 arrancou na quinta-feira, 9 de julho, com o contrabaixista Demian Cabaud e o projeto Árbol Adentro, uma proposta que cruzou o jazz contemporâneo com influências do folclore argentino e da música de câmara. Mas ainda há três noites de programação para descobrir, sempre às 22 horas e com entrada livre.
Organizado pela Associação Porta-Jazz em parceria com a Câmara Municipal do Porto, o ciclo volta a afirmar-se como uma montra do jazz produzido na cidade, dando palco aos mais recentes lançamentos do Carimbo Porta-Jazz e aproximando o público de projetos que desafiam fronteiras e experimentam novas linguagens musicais. Tudo isto num cenário onde a natureza, as noites de verão e a música voltam a encontrar-se.
Esta sexta-feira, 10 de julho, sobe ao palco o guitarrista José Vale para apresentar “Summer School”, o seu álbum de estreia. Acompanhado por Gil Silva, no saxofone, e Gonçalo Ribeiro, na bateria, o trio inspira-se no histórico projeto de Paul Motian com Bill Frisell para criar um concerto assente na improvisação contínua, em que as composições se fundem num único percurso musical. O resultado combina referências de nomes incontornáveis como Thelonious Monk e Ornette Coleman com uma abordagem contemporânea e experimental.
No sábado, será a vez de o contrabaixista João Próspero apresentar “Sopros”. Em quarteto, acompanhado pelo pianista galego Abe Rábade, Joaquim Festas, na guitarra, e Gonçalo Ribeiro, na bateria, o músico convida o público para uma viagem sonora inspirada no universo literário do escritor japonês Haruki Murakami, onde a melodia e a narrativa assumem um papel central.
O encerramento acontece no domingo, com Vera Morais e “Eupnea”. O projeto reúne cinco músicos europeus num ensemble que combina vozes e flautas para explorar as semelhanças tímbricas entre os dois instrumentos. O resultado promete uma experiência intimista e imersiva, onde a música de câmara encontra novas formas de expressão.
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