Uma jovem dominico-haitiana cresce entre plantações de cana-de-açúcar, sob a opressão do colonialismo, do racismo e da desigualdade social. É com “Sugar Island”, de Johanné Gómez Terrero, que arranca mais uma edição do Porto Femme e dificilmente haveria filme mais alinhado com o tema deste ano: o trabalho.
O Festival Internacional de Cinema regressa ao Porto entre 20 e 26 de abril para a nona edição. Desde a criação, afirma-se como um espaço dedicado ao cinema feito por mulheres e pessoas não-binárias. Em 2026, o tema é uma escolha que serve para refletir não só profissões e funções visíveis, mas também desigualdades, estereótipos, precariedade e todas as formas de trabalho invisível que continuam afastadas do centro.
A abertura oficial acontece esta terça-feira, 21 de abril, às 21h15, no Batalha Centro de Cinema, com cerimónia de abertura e exibição de “Sugar Island”. No mesmo dia, o espaço recebe ainda a Competição Internacional A, às 15h15, a Competição Nacional A, às 17h15 e, à noite, a festa de abertura, às 23h15, no bar High Life.
É também no Batalha que se concentra grande parte da programação. A 22 de abril há sessões de competição a partir das 15h15, uma conversa sobre as pioneiras do cinema às 18 horas e dois dos momentos mais marcantes do festival: a mostra especial “Lavores II — Trabalho de Casa”, às 19h15, e a sessão “As Pioneiras do Cinema Português”, às 21h15, com homenagem a Raquel Soeiro de Brito e sonoplastia ao vivo de Lula Pena. Nos dias seguintes seguem-se novas sessões internacionais, nacionais, estudantis, temáticas e XX Element, sempre entre as 15h15 e as 21h15.
Um dos núcleos centrais desta edição é precisamente “Lavores”, mostra com curadoria de Amarante Abramovici e Beatriz Diniz, que decorre entre 22 e 25 de abril e atravessa temas como trabalho doméstico, luta, parto e trabalho manual. Pelo meio, há também várias conversas no High Life sobre precariedade em festivais, a situação das mulheres no cinema e o trabalho nas margens.
A programação estende-se a outros espaços. A Universidade Lusófona do Porto recebe várias sessões da Competição Estudantes entre 22 e 24 de abril. A Casa Comum acolhe apresentações de livros, mostras e documentários. O Passos Manuel recebe sessões temáticas e XX Element, enquanto o Maus Hábitos exibe, a 22 de abril, a sessão “Perigo: Elas em Ação”. Já a Galeria MIRA tem patente, desde 18 de abril até 2 de maio, a exposição de fotografia “A Mulher e o Trabalho”, e a Galeria Nuno Centeno apresenta a mostra de videoarte “Curare”.
No total, o festival exibe 128 filmes de 37 países. Os bilhetes custam 4€ por sessão ou 1,50€ nas sessões escolares. O encerramento está marcado para 26 de abril, domingo, às 19h15, no Batalha. Até lá, há uma semana cheia de cinema para ver e rever. Pode consultar a programação online.
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