Um novo estudo alerta para a presença de químicos persistentes, conhecidos como químicos eternos, em produtos de pequeno-almoço consumidos diariamente em toda a Europa. Estes compostos, que não se degradam facilmente no ambiente nem no corpo humano, foram encontrados em níveis preocupantes em cereais e derivados — especialmente nos que são à base de trigo —, o que suscita questões sobre a segurança alimentar e os efeitos a longo prazo na saúde.
Dos produtos estudados, 83,3 por cento continham TFA (54 de 66), com concentrações médias de 78,9 microgramas por quilograma, chegando nalguns casos aos 360 microgramas por quilograma, valores muito superiores aos encontrados na água da torneira. A PAN Europe alerta que a alimentação se tornou a principal via de exposição humana a estes químicos, ultrapassando o consumo de água, e destaca o efeito cumulativo e persistente destes contaminantes.
O trigo, amplamente usado na Europa, parece absorver TFA de forma particularmente eficaz. Outro estudo indica que estas substâncias se acumulam nas raízes e na parte aérea das plantas em concentrações mais altas do que outros PFAS e continuam a ser absorvidas de forma contínua. Este mecanismo explica porque a grande maioria dos produtos contaminados era à base de trigo.
A investigação analisou 66 produtos vendidos em 16 países europeus, incluindo cereais, pães, massas, farinhas e doces, focando-se na presença de substâncias químicas perfluoroalquiladas (PFAS). Dos produtos avaliados, 92,3 por cento eram à base de trigo, enquanto os restantes eram feitos com outros cereais. Estes compostos são usados para tornar os alimentos resistentes à água e à gordura, mas acumulam-se no corpo e no ambiente, podendo causar efeitos nocivos ao longo do tempo.
Entre os 16 países analisados estão Polónia, Roménia, Hungria, Áustria, Grécia, Itália, Bélgica, República Checa, Luxemburgo, Irlanda, Países Baixos, Suíça, Espanha, Alemanha, França e Bulgária.
A exposição prolongada ao TFA está associada a alterações hepáticas, reprodutivas e da tiroide, embora os impactos a longo prazo continuem a ser estudados. Perante estes resultados, a PAN Europe defende a criação de limites máximos de TFA nos alimentos, a proibição de pesticidas PFAS e a implementação de monitorização sistemática em toda a cadeia alimentar, garantindo maior proteção à saúde dos consumidores.
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