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Nem todo o peixe é bom para grávidas e miúdos — mas sardinhas podem comer à vontade

O alerta relativo ao consumo de pescado com mercúrio foi dado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
Mas há boas notícias.

Ao contrário do que pensávamos, nem todos os peixes fazem bem à saúde. O consumo de algumas espécies é mesmo desaconselhado a grávidas e miúdos. Um novo estudo feito em conjunto pela Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) concluiu que, apesar do pescado contribuir para um “um adequado desenvolvimento neuronal do feto”, há certas espécies que devem ser evitadas.

Tendo em conta os riscos associados ao desenvolvimento cognitivo, as grávidas, mulheres a amamentar e miúdos pequenos devem evitar pescado com maior teor de mercúrio — tais como atum fresco (não o de conserva), cação, espadarte, maruca, pata roxa, peixes-espada e tintureira”, referem os investigadores, numa nota partilhada esta terça-feira, 16 de maio, no site do INSA.

Os especialistas aconselham a privilegiar, em troca, o consumo de sardinha e a cavala. São dois dos peixes com menos mercúrio e contêm maior teor de ácidos gordos ómega-3, que “contribuem para um melhor desenvolvimento cognitivo nos mais novos e na prevenção de doença cardiovascular nos adultos”. A lista de espécies com médio e baixo teor de mercúrio inclui a abrótea, o bacalhau, o carapau, o choco, a corvina, a dourada, a faneca, a lula, a pescada, o polvo, a raia, o redfish e o robalo.

A investigação sublinha ainda que “para a população em geral verificou-se não haver preocupação de segurança pelo que a recomendação é para consumir pescado com frequência, até sete vezes por semana”. “Contudo, a exposição a mercúrio nas grávidas, mulheres a amamentar e crianças (até aos 10 anos) mostra que o consumo deverá ser menos frequente (três a quatro vezes por semana).”

O grupo explica que as recomendações foram definidas tendo por base a frequência de consumo dos portugueses, obtida através do inquérito nacional IAN-AF. “Os dados relativos ao teor de mercúrio foram, por sua vez, determinados por meio de amostras colhidas e analisadas no âmbito do controlo oficial e de diferentes estudos científicos, sendo posteriormente integrados numa avaliação de risco-benefício associado ao consumo de pescado pela população portuguesa”.

Para chegarem a estes resultados, apoiaram-se ainda numa investigação anterior publicada no “British Journal of Nutrition”, em novembro de 2022.

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