Antes de ser tendência de Instagram, o hammam já era um ritual social, terapêutico e até espiritual. A palavra vem do árabe e significa, literalmente, “espalhar calor”: é daí que nasce a ideia do banho turco como o conhecemos hoje — um circuito de vapor e água quente que abre os poros, relaxa os músculos e prepara o corpo para uma esfoliação profunda. A tradição ganhou força em cidades do Império Otomano, mas tem raízes ainda mais antigas: os banhos romanos já defendiam a alternância de temperaturas, o cuidado do corpo como forma de higiene e convivência, e o poder quase meditativo de parar o tempo dentro de uma sala quente. No Norte de África, sobretudo em Marrocos, o ritual ganhou assinatura própria com sabão negro e gestos mais rigorosos de purificação, muitas vezes ligados a momentos de passagem e renovação.
É precisamente essa mistura — Roma, Turquia, Marrocos, e também o silêncio dos spas asiáticos — que serve de bússola ao Aqua & Hammam Spa, o novo espaço de bem-estar que abriu portas a 15 de dezembro, em Santa Catarina. O projeto nasce da visão de Sofia Duarte, terapeuta formada em técnicas terapêuticas e balinesas, que passou anos a estudar rituais de diferentes geografias. “O Aqua nasceu da vontade de criar um refúgio”, explica. “Criamos experiências exclusivas para quem deseja começar o dia com foco ou terminá-lo com profundo relaxamento”, acrescenta.
A história começou, no fundo, com uma frustração muito concreta. Sofia adorava hammam, mas nem sempre encontrava, no mesmo sítio, a massagem que procurava. “Chegou uma altura em que eu acordei e disse: hoje apetece-me um hammam, mas onde encontrava um hammam não tinha uma boa massagem terapêutica”, recorda. A solução foi simples e ambiciosa: “E se eu juntar tudo num só espaço?”. O conceito foi desenhado ao longo de seis anos de pesquisa, experiências e curadoria: “Foi seis anos de muita criatividade, de muito estudo, de muitas experiências. Vou ser muito sincera: o Aqua não foi criado para ser um spa, foi criado para ser um refúgio”.
Ao lado de Sofia está o sócio Ricardo Barbosa, portuense, que ajudou a ancorar o projeto na cidade — e, sobretudo, na rua certa. “O Ricardo é daqui do Porto, e eu cresci praticamente a minha infância aqui sempre senti que alguma coisa com Santa Catarina teve muito dentro de mim”, conta Sofia. A escolha teve também um lado prático: queriam um sítio com mistura de residentes e turistas, mas sem excesso de ruído, e com um detalhe estratégico importante: “Queremos que o Uber conseguisse parar mesmo na porta um passo, dois passos, e a pessoa entra.” O espaço foi “erguido do zero”, numa lógica de tela em branco, para garantir salas amplas e confortáveis — “não quisemos fazer salas pequenas, quisemos fazer salas confortáveis”.
Lá dentro, o Aqua organiza-se por ambientes, cada um com uma intenção própria. Há salas pensadas para o alívio muscular, outras mais “sensoriais” e aquáticas, e uma lógica clara de experiência guiada — para quem chega sem saber exatamente o que precisa. “Nós também trabalhamos sempre a parte guiada, quando a pessoa não sabe o que escolher”, explica Sofia. E há um cuidado em manter a atmosfera universal, sem símbolos religiosos. “Tentamos não trazer budas para aqui, por exemplo, para não remeter para nenhuma religião. Não temos nenhuma imagem, não temos absolutamente nada.”
A decoração acompanha essa ideia de refúgio contemporâneo: luz baixa, materiais quentes, uma estética elegante e, em algumas salas, detalhes dourados assumidos. Na sala de casal, por exemplo, a escolha do ouro tem propósito. “Eu acredito muito na abundância, na prosperidade inconscientemente, as pessoas ficam envolvidas nessa energia do ouro”, diz Sofia, defendendo que o espaço deve “transportar” antes mesmo de começar o tratamento.
Nos rituais, o hammam é estrela, — mas em versão intimista. “Normalmente, as pessoas partilham sempre um hammam. Aqui estamos a propor uma coisa mais exclusiva”, explica. Pode ser a solo ou partilhado (casal, amigas, mãe e filha), mas a assinatura passa por combinar massagem com a purificação. E há um elemento recorrente: eucalipto, escolhido por ser mais consensual e associado à respiração. “O eucalipto é a nossa matéria-prima principal e aqui faz todo o sentido, para tudo o que tem a ver com respiração”, aponta.
O menu inclui o Serenity Essence (óleos quentes e nutritivos), com 45 minutos por 85€, 60 minutos por 110€ e 90 minutos por 145€; o Green Therapy (ervas frescas aquecidas e aromas botânicos), com 60 minutos por 115€ e 90 minutos por 150€; o The Twin Flow (massagem a quatro mãos), com 60 minutos por 180€ e 90 minutos por 240€; o Bath of Tranquility (massagem e banho quente com sais magnéticos ou ervas), com 60 minutos por 150€ e 90 minutos por 180€, e ainda em versão casal, com 60 minutos por 220€ e 90 minutos por 260€; o The Royal Retreat Eucalyptus (ritual com hammam, esfoliação, máscara e pausa), com 90 minutos por 195€ e 120 minutos por 245€; o Sunrise Ritual (para começar o dia), disponível entre as 7h30 e as 10h30, com 60 minutos por 140€ e 90 minutos por 180€; e o Night Hammam (para fechar o dia), entre as 20h30 e as 22h30, com 75 minutos por 180€ e 90 minutos por 200€.
A marca trabalha com produtos como a Rituals e Sanctuary Luxure (de Londres), escolhidos para manter o posicionamento premium, mas também para garantir confiança em peles sensíveis — e reconhecimento junto do público internacional. E, embora tenha aberto a 15 de dezembro, o espaço preferiu um arranque “sem enchente”. “O melhor é abrir e ir aos poucos”, explicam, para garantir capacidade de resposta e afinar rotinas antes de acelerar a comunicação.
O Aqua & Hammam Spa é menos um spa “para ir fazer uma massagem” e mais um lugar para viver um momento de autocuidado. “Mesmo sem fazer um tratamento: só entrar, já faz parte da experiência”, resume Sofia. No Porto, onde o frio pede abrigo e o ritmo raramente abranda, o espaço propõe um banho quente, uma pele renovada e a sensação rara de voltar a casa por dentro.
Carregue na galeria para conhecer o novo spa na Baixa portuense.

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