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Um shot de água morna com sal em jejum é a nova tendência fit. Mas será saudável?

A NiT falou com a nutricionista Sónia Marcelo para perceber quais os benefícios para a saúde deste hábito matinal.
Há uma nova tendência.

É quase ponto assente que hoje em dia as redes sociais são as maiores geradoras de novas tendências — e há uma que tem sido muito falada nos últimos tempos. Envolve um copo de água em jejum, como muitas outras que já fizeram furor anteriormente, mas ao contrário do limão e do vinagre utilizados, desta vez o fator diferenciador é o sal dos Himalaias. No fundo, aquilo que se propõe é que tome um copo de água morna com este ingrediente rico em minerais.

Que a água é um elemento essencial na nossa vida já todis sabemos: transporta os nutrientes para as células, regula a temperatura corporal, ajuda na digestão e ainda tem um papel fundamental no sistema circulatório. Além disso, constitui 60 a 75 por centro do corpo de uma pessoa adulta.

É portanto recomendado que bebamos um mínimo de 1,5 a 2 litros de água por dia. Uma prática que muitos têm adotado para conseguir atingir esta meta é beber um copo logo de manhã, ainda em jejum.

De acordo com a nutricionista Sónia Marcelo, este hábito ajuda a acelerar ainda mais o metabolismo, principalmente se se tratar de água fria. Ao mesmo tempo, promove uma maior saciedade, “fazendo com que consequentemente as escolhas alimentares ao pequeno-almoço sejam mais saudáveis”, o que também se reflete na perda de peso.

Ajuda ainda a eliminar toxinas e resíduos, a absorver dos nutrientes e a melhorar a digestão. “Isto acontece porque este consumo potencia a produção de enzimas que atuam nas reações químicas que ocorrem no organismo”, diz a especialista. Além disso, ajuda na obstipação. Isto é, o intestino funciona de forma mais regular, e melhora o funcionamento renal e linfático. Mas há mais: faz com que as células do cérebro a receberem mais sangue oxigenado e, por isso, ele fica mais atento.

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Mas e se lhe acrescentarmos sal? Será que potencia os efeitos positivos ou nem por isso?

Alguns dos vídeos enumeram vários benefícios que se obtêm ao adotar esta prática, como o facto de regular a pressão arterial, prevenir as cãibras e as dores musculares, fortalecer o sistema respiratório, aumentar o apetite sexual e até prevenir o envelhecimento da pele.

Tudo isto é (supostamente) possível, uma vez que ao estarmos em jejum, o nosso organismo vai fazer uma maior absorção dos minerais presentes no ingrediente chave, que é extraído de uma rocha salina oriunda da região do Punjab, no Paquistão.

Sobre esta nova tendência, a nutricionista Sónia Marcelo afirma estar completamente desalinhada com o seu propósito.  “Não concordo com práticas radicais e que não estejam fundamentadas. Não existe evidência científica para que esta sugestão seja benéfica”, começou por mencionar a especialista.

“Não podemos tentar ensinar as pessoas a serem mais conscientes e estarmos sempre a pedir-lhes para racionar o sal, e depois do nada estarmos a mencionar para beberem um shot, praticamente, com este ingrediente.”

O consumo excessivo de sal promove como se sabe o aumento da probabilidade do aparecimento de doenças cardiovasculares, do aumento da tensão arterial, da osteoporose, de AVC, de demência e excesso de peso.

“Não é viável que alguém que queira ter um estilo vida saudável, como aquele que promovemos, opte por esta prática. Na minha opinião, o prejuízo vai ser sempre muito maior do que qualquer benefício que possa surgir, sendo que honestamente eu não encontro nenhum”, concluiu a nutricionista.

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