fit

Varíola dos macacos: Itália, Suécia e Estados Unidos também já têm casos confirmados

Juntam-se ao Reino Unido, Portugal e Espanha. De acordo com a OMS, a doença já chegou a, pelo menos, outros 15 países.
Encontra-se em isolamento desde dia 12.

O número de casos confirmados em todo o mundo de varíola dos macacos não pára de aumentar. Depois de Reino Unido, PortugalEspanha, chegou a vez da Itália, Suécia e Estados Unidos registarem as primeiras infeções.

Segundo o Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani, em Roma, o doente é um jovem que regressou das Canárias e já foi colocado em isolamento. Está “em condições gerais razoáveis”. Simultaneamente, as autoridades de saúde estão a fazer o rastreamento dos seus contactos. Há outras duas pessoas sob suspeita de contágio com o mesmo vírus.

Enquanto isso, a Agência Sueca de Saúde Pública também confirmou o primeiro caso no país. A pessoa “não está gravemente doente” mas precisou de assistência médica, lê-se em comunciado citado pelo “Observador”. As autoridades ainda não sabem onde ocorreu o contágio.

Nos Estados Unidos, o paciente infetado, que segundo as autoridades locais viajou recentemente para o Canadá, está internado em condição estável no Massachusetts General Hospital. Encontra-se em isolamento desde a última quinta-feira, 12 de maio.

“Este paciente, felizmente, agora está bem, embora tenha sintomas que exigem hospitalização”, disse a médica Erica Shenoy, citada pela “CNN Brasil”, numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, 18. A profissional salientou ainda que a vítima “não apresenta risco para a saúde pública” e que as pessoas devem “estar cientes dos sintomas, mas não ter medo”. Acrescentou que o homem tem a variante da varíola endémica na África Ocidental, conhecida por ser menos grave.

O médico Paul Biddinger partilhou da mesma ideia. “Historicamente, [a varíola dos macacos] é uma doença muito rara, com transmissão muito rara em todo o mundo. O que vimos no Reino Unido, na Espanha e na Europa, tem sido novo e isso preocupa-nos, mas as pessoas não devem ter medo”. Ainda não há certezas sobre como o paciente foi infetado.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos afirmou estar a rastrear os vários casos relatados nas últimas semanas em todo o mundo.

“Ainda não está claro como as pessoas nesses grupos foram expostas à varíola, mas os casos incluem indivíduos que se identificam como homens que fazem sexo com homens”, referiu a agência em comunicado.

“Muitos desses relatos globais de casos de varíola dos macacos estão a ocorrer dentro das redes sexuais. No entanto, os profissionais de saúde devem estar alerta para qualquer erupção cutânea que tenha características típicas da varíola dos macacos”, referiu Inger Damon, diretor da Divisão de Patógenos de Alta Consequência do CDC.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença já chegou a, pelo menos, outros 15 países. São eles Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Nigéria, Camarões, Gabão, Congo, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Benim, Sudão do Sul, Singapura e Israel.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças Europeu (ECDC) emitiu esta quinta-feira, 19 de maio, uma nota com recomendações para travar o contágio do vírus.

Varíola dos macacos: que doença é esta?

É uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

O contacto com animais vivos ou mortos infetados são fatores de risco, mas a doença não se transmite facilmente entre humanos. Porém, as autoridades de saúde não descartam “a possibilidade de transmissão em caso de contacto extremamente próximo com uma pessoa infetada”.

Em 2002, um surto de varíola dos macacos com origem em mamíferos do Gana contagiou 47 pessoas nos Estados Unidos. No mesmo país, em 2021 foram relatados dois casos de varíola humana importados da Nigéria.

Os primeiros sintomas incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço dos nódulos linfáticos, arrepios e cansaço extremo. Esta doença é em muitos aspetos semelhante à varíola humana, erradicada em 1979 — mas menos transmissível e mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves.

Apesar de ter sido declarada erradicada, desde setembro de 2017 que a Nigéria continua a relatar casos de varíola humana — no Delta do Rio Níger a varíola dos macacos é endémica.

A OMS aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam o surto de infeções que se tem vindo a registar nas várias semanas em muitos países.

MAIS HISTÓRIAS DO PORTO

AGENDA