Durante o primeiro inverno passado no Porto, Kelly Cox Ragno precisava de arranjar um motivo para sair de casa. Trabalhava à distância, muitas vezes com clientes noutro fuso horário, e ainda tentava conhecer pessoas e encontrar uma rotina. A chuva também não ajudava. A resposta apareceu num estúdio de ioga perto de casa, na Boavista, onde começou a frequentar uma aula todas as quartas-feiras de manhã. Esse pequeno compromisso acabaria por dar origem à Student Body, a plataforma que lançou a 20 de setembro com o marido, Luke Ragno, para aproximar alunos, instrutores e estúdios.
“Comecei a reconhecer as pessoas e a reparar nas suas pequenas particularidades. Conheci a Diana, que dirige o estúdio, e adorei a comunidade que tinha criado”, recorda Kelly sobre o ōmlab. “O espaço tornou-se confortável e familiar e, eventualmente, convenci o Luke a vir comigo.”
Os dois são californianos, mas conheceram-se do outro lado dos Estados Unidos. Kelly tem 40 anos e cresceu em Los Angeles; Luke tem 42 e é de São Francisco. Encontraram-se em Nova Iorque, em 2012, quando trabalhavam na marca de produtos capilares amika. Primeiro tornaram-se amigos, depois começaram a namorar e casaram-se em 2019.
Kelly estudou Publicidade e Comunicação de Marketing no Fashion Institute of Technology, em Nova Iorque. Começou na moda e passou depois quase uma década na área da beleza, com marcas como amika, ghd e Wet Brush, sobretudo em contacto com cabeleireiros e salões. Luke fez um mestrado em Design Gráfico na FHNW, em Basileia, na Suíça, e construiu o percurso entre design, produtos digitais e tecnologia.
Em 2020, fundaram a Concept & Cadence, uma agência de branding e comércio eletrónico. Criavam sites, identidades visuais, embalagens, campanhas e estratégias para pequenas e médias marcas. A experiência de trabalhar juntos acompanhou-os na mudança de país.
Visitaram o Porto pela primeira vez em 2021 e começaram a pensar seriamente numa vida em Portugal. Antes da decisão, passaram um mês a trabalhar remotamente e a viajar pelo País. Acabaram por regressar à cidade que os tinha conquistado e mudaram-se em 2023. “Era o lugar onde já nos sentíamos em casa”, contam.
Depois do ioga, experimentaram uma aula de cycling num novo estúdio da zona, onde conheceram Nathaly Machado. Começaram a praticar várias vezes por semana e a descobrir outros professores. Foi então que perceberam como a personalidade de quem orienta uma aula pode transformar a experiência.
“Duas aulas podem ter exatamente o mesmo nome e ser completamente diferentes consoante quem as dá: a personalidade, a música, a energia, a experiência e a forma como interage com a sala.”
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A ideia ganhou força quando uma das instrutoras favoritas deixou o estúdio. Kelly teve de lhe escrever no Instagram para descobrir onde poderia continuar a frequentar as suas aulas. “Tínhamos construído uma relação com a instrutora, mas não havia um lugar óbvio onde essa relação pudesse continuar.”
A Student Body organiza-se a partir dessa ligação. Cada profissional pode reunir num perfil as aulas que dá em diferentes espaços, os workshops e os eventos independentes. Os alunos conseguem seguir os instrutores, descobrir as suas propostas e gerir reservas na mesma plataforma, que já está em funcionamento, embora ainda numa fase inicial.
Ioga, Pilates, barre, cycling e sessões de relaxamento através do som estão entre as práticas mais representadas, sendo que qualquer instrutor do Porto pode candidatar-se a participar; já os estúdios aderem mediante pedido. Kelly acompanha a marca, a estratégia e a comunidade, enquanto Luke se dedica ao produto e ao desenvolvimento tecnológico.
As descrições procuram esclarecer aquilo que um horário convencional deixa de fora: intensidade, música, estilo de ensino, experiência necessária e ambiente. A informação é fornecida pelos profissionais e complementada pelo feedback de quem reservou as sessões. Pode ser consultada em português, inglês e espanhol, com acesso ao texto original. “O objetivo é ajudar mais pessoas a sentirem-se confiantes ao entrar numa aula”, explicam. As sugestões têm em conta preferências, reservas e instrutores favoritos, e os fundadores dizem não aceitar pagamentos para destacar profissionais nas recomendações.
Utilizar a Student Body é gratuito para os alunos, que pagam apenas as aulas ou eventos escolhidos. Os pagamentos podem ser feitos por cartão, MB WAY, Apple Pay ou Google Pay e seguem diretamente para a conta do instrutor ou estúdio. A plataforma não cobra uma percentagem das reservas. O modelo de negócio prevê ferramentas e subscrições opcionais para profissionais, ainda em desenvolvimento.
A comunidade também se encontra fora do ecrã. O primeiro evento foi o Sculpt & Spritz, com Nathaly Machado, no The Rebello. Entre as experiências preparadas esteve também o Garden Flow & Brunch, com Diana Freitas, no LEA. “Queremos que cada experiência seja uma extensão do instrutor, do seu estilo e da comunidade que está a criar.”
A próxima data anunciada é o Sky to Spa, a 10 de outubro, das 18 às 21 horas, no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel. A proposta combina yoga suave ao pôr do sol com uma sessão de relaxamento sonoro no spa, com Parina Andreeva, Alejandra Ayerbe e André Aníbal Rodrigues Alves, ligados à Healing House.
A sessão decorre em inglês e está indicada para todos os níveis. O bilhete para yoga e banho de som numa espreguiçadeira custa 65€, com uma tarifa antecipada de 55€, limitada. A opção numa cama flutuante custa 75€ e tem apenas seis lugares. As reservas são feitas online.
Kelly e Luke querem levar o projeto a outras cidades, mas o foco continua no Porto. “A tecnologia pode crescer, mas a comunidade deve continuar a sentir-se local.”
Carregue na galeria para conhecer os eventos promovidos pela nova plataforma fitness portuense.







