As pulseiras Whoop podem muito bem ser o próximo Apple Watch. Nos últimos anos, o acessório tem sido recorrente entre figuras públicas e atletas de elite. O capitão da Seleção Nacional, Cristiano Ronaldo — que até já investiu na empresa —, o jogador da NBA, LeBron James; e o nadador Michael Phelps são alguns exemplos de nomes internacionais que se tornaram fãs deste gadget.
A empresa tecnológica foi fundada em 2012 por Will Ahmed, na altura estudante da licenciatura de Governo e Economia na Universidade de Harvard, em Massachussets, nos Estados Unidos. O projeto nasceu da necessidade de compreender melhor a relação entre treino, recuperação e desempenho físico. Após um período de investigação e desenvolvimento, o primeiro dispositivo foi lançado em 2015, com foco específico na monitorização contínua de dados fisiológicos.
Ao contrário de smartwatches tradicionais, a Whoop não possui ecrã — ou seja, não pode ver as horas ou receber as notificações do telemóvel. O dispositivo foi, sim, concebido para ser usado de forma contínua, 24 horas por dia, incluindo durante o sono, e concentra-se exclusivamente na recolha e análise de dados. A interação com o utilizador é feita através de uma aplicação móvel, onde são apresentados os indicadores e recomendações.
A pulseira integra vários sensores que permitem medir diferentes parâmetros. Entre os principais dados recolhidos estão a frequência cardíaca, tanto em repouso como durante atividade física, e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV), que é um indicador relevante do estado do sistema nervoso autónomo e do nível de recuperação do organismo. Mede também a frequência respiratória, a temperatura da pele e padrões de movimento através de acelerómetros.
Um dos pilares do sistema Whoop é a análise do sono. O dispositivo regista a duração, a eficiência e as diferentes fases (sono leve, profundo e REM), com base em algoritmos próprios. A partir destes dados, é calculada a necessidade diária de sono e atribuída uma pontuação que indica se o utilizador dormiu o suficiente para recuperar dos esforços feitos ao longo do dia.
Outro conceito central é o chamado “strain”, que representa o esforço físico acumulado ao longo do dia. Esta métrica resulta da combinação de intensidade e duração da atividade, sendo apresentada numa escala que permite perceber o impacto do exercício no seu corpo.
Em paralelo, a Whoop calcula uma pontuação de recuperação, expressa em percentagem, que indica o estado de prontidão do corpo para enfrentar novas cargas físicas. Esta avaliação baseia-se sobretudo na HRV, na frequência cardíaca em repouso e na qualidade do sono.
A proposta diferencia-se de outras alternativas no mercado por privilegiar a relação entre esforço e recuperação, em vez de incentivar apenas o aumento da atividade física. O objetivo é fornecer informação que permita ajustar treinos, prevenir fadiga excessiva e reduzir o risco de lesões. Este modelo levou à adoção do dispositivo por equipas profissionais em ligas como a NBA, NFL e outras competições de alto nível.
Com o tempo, o uso alargou-se a outros contextos para além do desporto. Atualmente, a marca é também utilizada para monitorizar níveis de stress, avaliar o impacto de hábitos como consumo de álcool ou cafeína, e identificar alterações fisiológicas que possam indicar doença.
O modelo de negócio baseia-se numa subscrição que custa, no mínimo, 199€ por ano. Afinal, o utilizador não compra apenas a pulseira, disponível a partir de 49€, mas o acesso ao ecossistema de software e às atualizações contínuas da plataforma.
Nos últimos anos, a Whoop tem também investido na diversificação do produto, incluindo acessórios que permitem integrar o sensor em peças de roupa, como tops, cuecas femininas, boxers ou mangas, tornando o dispositivo menos visível. Hoje em dia, a empresa está avaliada em mais de 8,7 mil milhões de euros.
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