Santos Populares, festivais de verão, viagens e férias na praia que acabam em noitadas na discoteca — nos meses de verão multiplicam-se as festas, muitas vezes regadas com cerveja, vinho ou cocktails. No dia seguinte, o resultado é sempre o mesmo: enjoos, dores de cabeça e a promessa de nunca mais voltar a beber. No entanto, pode fazê-lo, o segredo é seguir uma técnica simples, mas eficaz, que impede a ressaca.
Chama-se zebra striping, começou a ganhar força no Reino Unido e nos Estados Unidos, e consiste em alternar bebidas alcoólicas e não alcoólicas durante uma saída à noite. O objetivo é simples: reduzir a quantidade total de álcool ingerida sem abdicar do convívio.
A estratégia tem vindo a ser adotada sobretudo pelas gerações mais jovens, que procuram formas de moderar o consumo e evitar os efeitos menos agradáveis da manhã seguinte. Mas será que resulta mesmo? Segundo o médico de clínica geral António Hipólito de Aguiar, a resposta é sim.
O especialista explica que o principal benefício está relacionado com a redução de concentração de álcool no organismo. Ao alternar cerveja e vinho com água, a quantidade ingerida ao longo da noite acaba por ser menor e o corpo fica sujeito a uma carga inferior de substâncias que precisam de ser processadas.
“Não só o teor em álcool é menor, como ocorre um maior efeito de diluição”, explica. “Para o mesmo volume há menos álcool e, havendo menos álcool, a probabilidade de ter um efeito nocivo também é menor.”
A ressaca, acrescenta, está intimamente ligada à forma como o organismo processa o álcool. Quando bebemos, o corpo identifica-o como uma substância potencialmente tóxica e envia-o para o fígado, responsável pela sua metabolização. No entanto, este órgão tem “uma capacidade limitada de destoxificação. “Quando a quantidade de álcool é muito elevada, essa capacidade fica sobrecarregada e não consegue processar tão rapidamente todos os tóxicos que passam por lá.”
É precisamente esta carga elevada que ajuda a explicar muitos dos sintomas associados à ressaca, como dores de cabeça, náuseas, fadigas e mal-estar geral. Mas nem todas as pessoas reagem da mesma forma ao álcool. Alguns grupos podem sentir efeitos mais intensos mesmo após consumirem quantidades semelhantes.
“As pessoas que têm menos peso e são mais baixas são mais sujeitas a um efeito maior. Também quem tem problemas hepáticos ou alterações das enzimas responsáveis pelo processamento do álcool podem sentir efeitos mais marcados”, realça.
Outro dos argumentos frequentemente associados ao zebra striping é a hidratação. Como a cerveja e os cocktails, por exemplo, têm um efeito diurético, acabam por promover a perda de líquidos e contribuem para a desidratação, o que agrava vários sintomas da ressaca. “Quanto mais tivermos açúcar ou sal numa bebida, mais essa bebida tem tendência a sugar a água. Um corpo com álcool tende a chamar água para impedir que esteja tão concentrado o sal ou o açúcar.”
Apesar de ser um bom truque, não significa que possa beber enormes quantidades numa noite. Afinal, a técnica não anula automaticamente os efeitos do álcool. Em muitos casos, a estratégia funciona precisamente porque leva as pessoas a beber menos e mais devagar.
Ao aumentar o intervalo entre o consumo, o organismo ganha mais tempo para processar as tais toxinas e evita uma subida tão rápida de concentração de álcool no sangue. “O objetivo é fazer com que as pessoas não percam o gosto de estar a beber com os amigos, mas moderem a quantidade ingerida”, resume o médico.
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