A Praça da Batalha é um dos pontos mais movimentados do centro do Porto, com paragens de transportes, passagem constante de pessoas e acesso direto a ruas históricas e zonas turísticas. Ao longo do dia, a circulação automóvel cruza o espaço e disputa metros com quem ali anda a pé, sobretudo ao fim de semana, quando há mais gente na rua. Mas a partir de março, o cenário vai mesmo mudar.
Os carros vão deixar de poder atravessar a Praça da Batalha aos fins de semana. A restrição é o primeiro passo de um conjunto de zonas pedonais temporárias que a Câmara Municipal quer testar na cidade. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 12 de fevereiro, numa conferência de imprensa no Reservatório do Museu do Porto, a propósito dos 100 dias do mandato de Pedro Duarte, que se assinalam esta sexta-feira, 13.
“No curto prazo vamos começar já, e o primeiro caso será o da Praça da Batalha, onde, em alguns dias da semana — vamos começar talvez pelos fins de semana —, vamos limitar o trânsito automóvel”, afirmou o autarca, citado pelo portal de notícias da Câmara do Porto. A mudança será faseada para que, “do ponto de vista cultural”, os cidadãos se habituem “a uma nova forma de viver a cidade”, depois de décadas de incentivo ao uso do carro individual.
A mobilidade foi uma das prioridades destacadas nestes primeiros meses de mandato. Pedro Duarte defende que, apesar de o problema do trânsito exigir soluções de médio prazo, isso “não significa que não haja medidas que tenham de ser tomadas no curto prazo”. Entre elas estão os transportes públicos gratuitos, descritos como “um sinal” de mudança na forma como os habitantes se deslocam dentro da cidade, e o reforço de corredores dedicados a autocarros.
Também a circulação na Via de Cintura Interna poderá sofrer alterações. O Governo deu resposta favorável à proposta de retirar os veículos pesados quando a Circular Regional Exterior do Porto (CREP) ficar sem portagens nas horas de ponta, medida apontada também para março, ainda dependente de concretização técnica.
Outro dos projetos centrais é o metrobus. Apesar de ter sido afetado pelo mau tempo recente, o executivo municipal mantém a previsão de entrada em funcionamento na última semana de fevereiro, com a segunda fase prevista antes do verão.
No balanço dos 100 dias, Pedro Duarte abordou também a segurança e as respostas sociais. O presidente da Câmara quer retirar a sala de consumo assistido junto ao Bairro da Pasteleira, atualmente “entre duas escolas”, e estuda uma nova localização. O objetivo é encontrar uma solução com melhores condições e acessos. O tema continuará em análise no Conselho Municipal de Segurança.
O reforço de 80 novos agentes da Polícia Municipal deverá concretizar-se “até ao verão”, enquanto o plano global de segurança poderá ser apresentado até ao final de março. A autarquia está ainda a avançar com o reforço da iluminação pública em várias zonas da cidade.

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