Portugal tem organizações e estruturas competentes para ajudar os animais, garante a Animalife. O que falta é uma ação coerente e de cooperação entre estas instituições. A plataforma apoioanimal.pt, apresentada oficialmente esta terça-feira, 15 de setembro, foi desenvolvida a partir desta constatação, reunindo todas as entidades nacionais dedicadas à proteção animal, públicas e privadas, num só espaço online.
Este é o “primeiro diretório nacional público das entidades de apoio animal em Portugal”, esclarece à PiT Rodrigo Livreiro, presidente da Animalife. O principal objetivo é permitir a quem procura ajudar animais errantes encontrar o organismo certo para os encaminhar, de forma simples e com informação confiável.
O presidente da direção explica que a ideia surgiu a partir do que os 15 anos de atuação da organização de combate ao abandono animal revelaram. Por um lado, o trabalho desenvolvido com associações zoófilas e centros de recolha municipais deixou clara a capacidade e vontade de resposta destes organismos.
Por outro, os cerca de 6 mil pedidos de ajuda que chegam à Animalife por ano, partindo de pessoas que se deparam com animais errantes, evidencia que esta capacidade de resposta nem sempre chega ao conhecimento do público. “Somados aos das centenas de associações e centros de recolha do país, são muitos milhares de pessoas que, todos os anos, não sabem a quem recorrer — e que, depois de vários contactos sem resposta, muitas vezes desistem “, afirma Rodrigo.
Esta realidade é refletida nos dados oficiais dos centros de recolha, que em 2025 acolheram cerca de 40 mil animais e concretizaram perto de 22 mil adoções. “Isto demonstra que a sobrelotação é uma preocupação constante”, diz o líder da associação.
No entendimento do grupo, o que falha é “a informação estar dispersa e ser difícil de encontrar por quem precisa”. O apoioanimal.pt surge como uma forma de solucionar este problema. “O que fazemos agora é trazer para o público o conhecimento que fomos acumulando sobre estas entidades, para que todos possam cooperar em prol dos animais”, explica o responsável.

Um passo na defesa do bem-estar animal
O projeto pioneiro nasce no ano que marca os 15 anos de existência da Animalife, e os 10 anos da lei que proibiu o abate nos centros de recolha oficiais, reforçando a responsabilidade municipal de cuidado pelos animais. “O apoioanimal.pt nasce neste cruzamento”, esclarece o responsável. “Durante 15 anos ouvimos a mesma pergunta: quem me pode ajudar, aqui, onde eu vivo? A partir de agora há uma resposta simples: já procurou no apoioanimal.pt?”.
A pesquisa dentro da plataforma pode ser discriminada através do nome da entidade, concelho, espécie do animal encontrado e pelo tipo de ajuda necessária (desde o resgate na via pública, à esterilização de colónias, apoio alimentar ou acolhimento em emergências).
Rodrigo salienta que todas as entidades incluídas no site online são legalmente constituídas, sejam públicas ou privadas, adiantando que a validação é feita pela própria Animalife, depois de as associações se registarem. Cada entidade tem uma ficha própria, onde são apresentados os contactos, as atividades a que se dedica, as espécies que acompanha e se tem alojamento próprio.
Esta abordagem permite uma maior visibilidade para as pequenas associações de cada concelho, assegurando uma resposta mais eficaz e promovendo adoções em diferentes entidades.
Rodrigo Livreiro nota ainda que a listagem pública deixa clara a falta de organismos públicos de proteção animal no nosso País. A partir dos dados oficiais da DGAV, foram importados os 160 centros de recolha em Portugal — “140 são municipais e 20 intermunicipais. Isto significa que em cerca de 88 municípios só vão aparecer associações privadas, que fazem o trabalho do Estado. Isto serve de alerta para a necessidade de criar estruturas públicas”, afirma.

“É só a primeira peça de um puzzle”
A Animalife tem vindo a defender uma ação de Integração Nacional para a Cooperação Animal no sentido de combater o abandono. Esta abordagem pretende conectar “associações, centros de recolha, municípios, serviços públicos, profissionais e cidadãos” que trabalham pelo bem-estar animal. “É ligar o que já existe, por etapas (conhecer, agregar, conectar, articular, integrar), para que o todo valha mais do que a soma das partes”, esclarece.
O apoioanimal.pt surge como o primeiro passo para a concretização deste plano. “Estamos a construir algo melhor e maior pelos animais”, diz.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Animalife.







