Durante mais de 40 anos, a Garagem Atlântico foi um lugar de partidas e chegadas. Entre malas, despedidas e regressos, os autocarros entravam e saíam daquele edifício junto à Batalha para ligar o Porto ao resto do País, mas poucos passageiros chegavam realmente a conhecê-lo por dentro. Agora, antes de avançar para obras que o vão transformar no novo spot cultural da cidade, o antigo terminal rodoviário vai abrir as portas durante quatro dias.
O Garagem Atlântico Open Doors acontece entre quinta-feira, 10 de setembro, e domingo, dia 13, no número 126 da Rua de Alexandre Herculano. A entrada é gratuita, mediante reserva de bilhete online.
Durante quatro dias, o antigo terminal transforma-se num espaço cultural, com feiras de vinil e livros, concertos, DJ sets, sessões de cinema e oficinas de cerâmica, pintura e ioga. O programa inclui também atividades para famílias, uma exposição com curadoria da Because Art Matters, instalações da Gema e um segmento preparado pelo Bloom Festival como warm-up do festival. A East Side Radio estará igualmente presente com vários sets.
À entrada será instalado um café com esplanada, enquanto o interior terá bares, lojas, carrinhas de comida de rua e uma zona dedicada à arte. Mais do que uma programação temporária, o encontro servirá como ensaio para testar a convivência entre as diferentes áreas que deverão fazer parte do futuro espaço.
A Garagem Atlântico funcionou durante décadas como o principal terminal rodoviário privado de autocarros e expressos no centro do Porto. Deixou de ter essa função em maio de 2017, quando a Transdev transferiu toda a operação para o Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto, e o edifício permaneceu fechado desde então.
A transformação deverá começar no início de 2027 e prolongar-se durante pelo menos um ano. A reabertura está prevista para 2028, já como espaço cultural e criativo aberto à cidade. O investimento global, que inclui a compra do imóvel, poderá aproximar-se dos 10 milhões de euros e reúne mais de 30 investidores de diferentes nacionalidades, que preferem manter o anonimato.
A curadoria está a cargo de Filipe Teixeira, ex-fundador do Plano B e à Pizzaria Generosa, com consultoria de José Rebelo, associado a projetos como o Out Jazz, o LX Factory e o 8 Marvila. “O nosso objetivo é pegar num espaço que era um ponto de passagem e torná-lo num ponto de paragem”, explica Filipe Teixeira aqui citado pelo “Observador”.
Apesar da mudança, a estrutura, o nome e a memória do antigo terminal serão preservados. O projeto arquitetónico pertence ao Atelier Sérgio Rebelo e a identidade visual foi desenvolvida pelo KOIÁSTUDIO.
Quando as obras estiverem concluídas, a Garagem Atlântico terá projetos permanentes e pop-up de gastronomia, espaços para designers, alfarrabistas e lojas de discos, além de uma galeria com quase 300 metros quadrados, um pequeno horto em formato de estufa e uma zona de coworking. O projeto prevê ainda uma black box insonorizada, com entrada independente, preparada para receber teatro, dança, concertos e DJ sets. A Circus Network e a East Side Radio, que passará a emitir diretamente do edifício, estão entre as primeiras parcerias confirmadas.
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