Entre armazéns, escritórios, concessionários, rotundas intermináveis e trânsito constante, a Zona Industrial de Ramalde tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma das áreas mais estratégicas e ao mesmo tempo mais fragmentadas do Porto. Agora, a Câmara Municipal quer transformar completamente a zona e criar um novo Distrito Económico e Empresarial do Porto — um projeto que surge acompanhado de outra ambição: aliviar o congestionamento da VCI e repensar a mobilidade na cidade.
O anúncio foi feito esta terça-feira, 12 de maio, durante uma conferência na Casa do Roseiral que juntou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os presidentes das câmaras do Porto e de Lisboa, Pedro Duarte e Carlos Moedas. Na prática, o projeto prevê uma profunda reorganização urbana de toda a zona envolvente à Avenida da Associação Empresarial de Portugal (AEP), atualmente uma das principais vias da área industrial de Ramalde. A grande mudança passa precisamente por “enterrar” essa avenida, permitindo ligar os dois lados da zona industrial e criar novos espaços habitacionais, empresariais e públicos.
“A nossa intenção é enterrarmos a atual avenida AEP para podermos ligar as duas margens daquela zona industrial e criar um grande parque de habitação, de espaços empresariais, serviços, espaço público para usufruto das comunidades, com espaços verdes, para a prática desportiva”, explicou o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, aqui citado pelo portal de notícias do Município.
Mas a reorganização urbana não ficará apenas pela superfície. No mesmo dia, a autarquia confirmou também que vai avançar com os estudos para criar uma futura Via de Cintura Externa (VCE), pensada para desviar parte do tráfego que atualmente sobrecarrega a VCI. O objetivo passa por retirar pressão à principal artéria rodoviária da cidade e permitir que esta funcione mais como uma via urbana.
Segundo Pedro Duarte, a nova infraestrutura poderá ajudar a reduzir o volume de circulação na zona mais congestionada da VCI, abrindo caminho a futuras medidas como redução de velocidade, reforço do transporte público ou até soluções mais ambiciosas, como a possibilidade de transformar parte da via num túnel — hipótese baseada num estudo já desenvolvido pela Universidade do Porto.
O futuro Distrito Económico e Empresarial deverá permitir a criação de até 35 mil novos postos de trabalho e cerca de seis mil habitações destinadas à classe média. A ideia passa também por reforçar a componente tecnológica da cidade e atrair novas empresas para a zona.
A própria Avenida da AEP está ligada à expansão empresarial do Porto ao longo do século XX. A Associação Empresarial de Portugal, originalmente fundada em 1849 como Associação Industrial Portuense, teve um papel importante no desenvolvimento industrial e económico da região Norte, ajudando a consolidar aquela zona como um dos principais polos empresariais da cidade.
Pedro Duarte acredita que o Porto “tem condições para ser um ‘hub’, um centro do ponto de vista de empresas tecnológicas” e considera que este novo espaço poderá funcionar como motor económico da Área Metropolitana.
Também Luís Montenegro destacou o potencial da operação urbanística. O primeiro-ministro descreveu o projeto como uma “reorganização urbana de todo aquele espaço”, orientada para combinar a atividade industrial e de serviços já existente com “novas utilizações” ligadas sobretudo à área tecnológica.
O plano prevê ainda mais zonas verdes, espaços públicos e aposta na mobilidade suave, embora ainda não tenham sido anunciadas datas concretas para o arranque da intervenção nem o valor global do investimento.







