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Cadeia que quer reinventar os hotéis chega à cidade com um rooftop sobre o Douro

A TRIBE estreia-se na Península Ibérica já em 2027, com um hotel em Vila Nova de Gaia. A marca aposta sobretudo no design e nos espaços comuns dinâmicos.

Em muitos hotéis, o lobby é apenas um lugar de passagem onde se é obrigado a fazer as burocracias do costume. A cadeia TRIBE decidiu fazer precisamente o contrário e transformou esse espaço no centro de toda a experiência, um ponto de encontro onde se trabalha, bebe café, toma um cocktail ao final do dia e se convive com moradores locais e outros viajantes. É essa filosofia que vai chegar ao Grande Porto em 2027, com a abertura do primeiro hotel da marca em Portugal e em toda a Península Ibérica.

O futuro TRIBE Porto Gaia será construído na Avenida da República, a poucos metros da ponte Dom Luís I, numa das zonas mais movimentadas de Vila Nova de Gaia. O projeto resulta de uma parceria entre a Accor e o grupo canadiano Mercan Properties e representa mais um capítulo na transformação da frente ribeirinha da cidade, que nos últimos anos tem atraído novos hotéis, restaurantes e espaços culturais. Mas a chegada da TRIBE ao País não é apenas mais uma abertura hoteleira. A marca assume que quer desafiar algumas das convenções tradicionais da indústria.

“A TRIBE nasceu em Perth, em 2017, fruto da visão de Mark e Melissa Peters, com a ideia de criar hotéis alinhados com o estilo de vida do viajante moderno, combinando design contemporâneo, funcionalidade e uma experiência acessível”, explica Pauline Oster, vice-presidente da TRIBE para a Europa e Norte de África. O casal australiano, com décadas de experiência no setor, acreditava que existia espaço para um conceito intermédio entre os hotéis económicos e os boutique hotéis de luxo. A proposta passava por eliminar excessos e concentrar o investimento naquilo que realmente interessa aos hóspedes, o design, o conforto, a tecnologia e zonas comuns apelativas. “A marca assenta num princípio muito claro: demonstrar que o design, o conforto e um preço acessível podem coexistir”, sublinha Pauline Oster.

O conceito foi um sucesso. O primeiro hotel abriu em Perth, na Austrália, em 2017. Dois anos depois, a Accor integrou-a no seu portefólio lifestyle e atualmente, a TRIBE conta com 27 hotéis em funcionamento e mais de 40 projetos em desenvolvimento, espalhados por cidades como Londres, Paris, Amesterdão, Budapeste, Düsseldorf ou Perth.

Tribe
O futuro hotel no Porto.

Apesar de cada unidade ter identidade própria, existem elementos comuns que atravessam toda a rede. O design segue uma lógica “mix-and-match” que combina peças contemporâneas, materiais com textura e mobiliário de assinatura., sendo que cada hotel é desenvolvido com um designer diferente, mas todos seguem três pilares definidos pela marca.

Os quartos são intencionalmente pequenos e apostam, em vez de áreas excessivas, na funcionalidade, na roupa de cama premium e nos amenities. A marca trabalha, por exemplo, com produtos Kevin Murphy e aposta numa seleção reduzida de elementos de conforto. No entanto, o verdadeiro coração dos hotéis TRIBE está fora dos quartos. Desde a sua origem, a marca foi concebida como um lugar de encontro. “A TRIBE também foi concebida como um lugar de vida e de conexão, onde os espaços favorecem naturalmente a interação e reúnem viajantes e residentes em torno de uma experiência social”, refere Pauline Oster.

É precisamente esse conceito que será transportado para Gaia. O futuro hotel terá 125 quartos e será desenvolvido pela Nano Design. O elemento central será o chamado “Social Hub”, um espaço multifuncional pensado para funcionar ao longo de todo o dia. “O Living Space será o coração do hotel, concebido como um espaço multifuncional para trabalhar, socializar, comer ou relaxar durante todo o dia”, explica a responsável.

Além do restaurante de pequeno-almoço, o TRIBE Porto Gaia contará com um bar central que servirá café de especialidade durante o dia e cocktails à noite, uma zona Grab & Go para refeições rápidas, salas de reunião, ginásio e várias áreas flexíveis adaptadas aos novos hábitos de trabalho e lazer.

A programação também deverá desempenhar um papel importante. Exposições, DJ sets, encontros culturais e iniciativas como o Vinyl Club fazem parte da estratégia da marca para atrair não apenas hóspedes, mas também moradores locais. A escolha de Gaia para a estreia ibérica não aconteceu por acaso. Segundo Pauline Oster, a localização junto ao centro histórico do Porto e às caves de vinho do Porto oferece condições únicas para o posicionamento da marca. “O Porto atrai um perfil de viajante internacional muito diverso, cada vez mais interessado em experiências locais, cultura e lifestyle”, afirma. “Também se presta especialmente bem a escapadelas urbanas de fim de semana na Europa.”

A localização foi outro fator decisivo. A TRIBE privilegia zonas centrais e bairros dinâmicos, onde a vida urbana faz parte da experiência dos hóspedes. Por isso, a proximidade à ponte Dom Luís I, às caves de Gaia e ao centro histórico foi vista como uma oportunidade estratégica para a entrada da marca no mercado português. Um dos principais atrativos será o rooftop, com o terraço panorâmico a oferecer vistas sobre o rio Douro e sobre as históricas caves de vinho do Porto. 

Para a Accor, esta abertura representa apenas o início. O grupo considera a Península Ibérica um mercado prioritário para a expansão da marca e admite estar atento a novas oportunidades tanto em Portugal como em Espanha. “A chegada da TRIBE ao Grande Porto mostra que a hotelaria continua a evoluir para responder a um novo tipo de viajante: alguém que já não procura apenas um quarto para dormir, mas um lugar onde possa trabalhar, conhecer pessoas, descobrir a cidade e sentir-se parte dela, mesmo que seja apenas durante um fim de semana”, finaliza a responsável.

Embora os preços para o futuro TRIBE Porto Gaia ainda não tenham sido divulgados, a marca posiciona-se habitualmente no segmento lifestyle de gama média-alta. Nos hotéis TRIBE já em funcionamento noutras cidades europeias, as tarifas costumam variar entre os 150€ e os 250€ por noite, dependendo da época do ano e do tipo de quarto. A expectativa é que o projeto de Gaia siga uma estratégia semelhante, apostando num design contemporâneo e em áreas comuns diferenciadoras, mas mantendo preços mais acessíveis do que os praticados pelos hotéis de luxo tradicionais.

Carregue na galeria para descobrir outros hotéis da cadeia (e ficar com uma ideia do que poderá esperar no TRIBE Porto Gaia).

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