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Dois edifícios históricos do Porto estão a ser reabilitados para habitação

A JH Real Estate apresentou os projetos Liberty 143 e Flôr. O foco não está na escala, mas na forma como preserva a alma da cidade.

Há cidades onde os prédios novos parecem cair do céu sem pedir licença ao bairro. No Porto, isso nota-se depressa. Basta entrar numa rua onde ainda há roupa nas varandas, cafés de esquina cheios ao final da tarde e mercearias abertas há décadas para perceber que a cidade vive de um equilíbrio frágil entre renovação e identidade.

Foi precisamente nesse território que a JH Real Estate decidiu entrar. A promotora imobiliária internacional apresentou em parceria com a Keystone Real State, a 7 de abril, dois novos projetos de reabilitação urbana no centro do Porto: o Liberty 143, na Rua dos Mártires da Liberdade; e o Flôr, na Rua das Flores. Não são mega empreendimentos nem torres de luxo. Juntos, somam apenas oito apartamentos, dois espaços comerciais e dois jardins interiores.

Fundada por Johnny Hanna em 2011, a JH Real Estate nasceu após um percurso ligado ao setor bancário e ao investimento internacional. A empresa trabalha atualmente mercados como Portugal (desde 2019), Espanha e Grécia, focando-se em projetos residenciais de pequena e média escala orientados para reabilitação urbana, preservação de capital e crescimento sustentado. Depois de vários anos a operar noutros mercados europeus, a JH Real Estate escolheu o Porto para avançar com os primeiros projetos no País, sendo que estão também em desenvolvimento investimentos em Lisboa, Sesimbra, Alcácer do Sal e Tróia.

“Sempre acreditámos mais em intervenções cuidadas do que em projetos de grande escala, especialmente em centros históricos como o do Porto”, explica Johnny Hanna. “Projetos como o Liberty 143 e o Flôr permitem trabalhar cada edifício com respeito pela sua história, pela rua onde se insere e pela vida do bairro.”

O Liberty 143 surge na Rua dos Mártires da Liberdade, uma das artérias históricas da cidade ligada à Rota Porto Liberal. Nos últimos anos, a rua tornou-se também um retrato da transformação urbana do Porto: entre antiquários, cafés veganos, lojas vintage, ateliers e novos espaços criativos. O projeto representa um investimento de quatro milhões de euros e inclui quatro unidades residenciais, um espaço comercial e um jardim com 126 metros quadrados.

No caso do Flôr, a intervenção acontece num edifício da Rua das Flores, uma das artérias mais movimentadas e emblemáticas da cidade, que continua hoje a concentrar turistas, comércio tradicional, restaurantes e hotéis boutique. O projeto representa um investimento de sete milhões de euros e prevê quatro apartamentos e um espaço comercial distribuídos por 566 metros quadrados, além de um jardim interior com 66 metros quadrados — um detalhe raro numa das zonas mais densas do centro histórico do Porto.

 
 
 
 
 
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Apesar de estarem inseridos em duas das ruas mais valorizadas da cidade, Johnny Hanna insiste que o objetivo não passa apenas pelo investimento imobiliário. “Não se trata apenas de edifícios, mas de compreender como os espaços podem criar valor para quem vive neles e para quem investe.”

O empresário acredita que o Porto continua a destacar-se no contexto europeu por conseguir manter uma identidade muito própria, mesmo perante o crescimento do turismo e do investimento estrangeiro. “É uma cidade com uma autenticidade rara na Europa. O património histórico não é apenas um cenário, entrelaça-se no quotidiano da cidade.”

Para quem chega de fora, há elementos que continuam a surpreender. “O Porto tem um ritmo muito próprio, mais tranquilo do que outras cidades europeias, mas, à sua maneira, extremamente vibrante”, diz. “É uma cidade de bairros, de ruas com comércio local, de cafés cheios ao final da tarde e de uma vida urbana muito presente.”

Esse equilíbrio, porém, é também o maior desafio da cidade neste momento. O crescimento acelerado do turismo, a pressão imobiliária e a dificuldade crescente em manter habitação acessível no centro têm alimentado uma discussão cada vez mais presente sobre os limites da reabilitação urbana.

Para Johnny Hanna, há uma linha clara entre recuperar um edifício e descaracterizá-lo. “Podemos adaptar edifícios às necessidades contemporâneas, melhorar conforto, eficiência e funcionalidade, mas nunca apagar a identidade arquitetónica, os materiais, as proporções e a história do espaço.”

Na prática, isso significa evitar projetos indiferenciados que poderiam existir em qualquer cidade europeia. “O que nunca deve ser feito é transformar edifícios históricos em apenas mais um empreendimento sem ligação ao lugar”, sublinha. “No Porto, cada prédio conta uma história. A responsabilidade que assumimos é prolongar essa história, nunca substituí-la.”

Essa visão também explica por que a empresa prefere projetos mais pequenos. Segundo o fundador, quando os empreendimentos crescem demasiado, a relação com o bairro tende a perder-se. “O que se ganha em volume, perde-se em autenticidade.”

Os dois edifícios encontram-se ainda em fase de pré-desenvolvimento, mas já revelam a lógica da empresa: recuperar estruturas existentes, integrar habitação e comércio e devolver atividade a ruas que sempre fizeram parte do quotidiano urbano da cidade. À NiP foi revelado que o preço dos apartamentos deverá situar-se entre os 350 mil euros e 1,2 milhões de euros.

“Tanto a Rua dos Mártires da Liberdade como a Rua das Flores sempre foram mais do que simples ruas de passagem. São espaços de encontro, de comércio e de cultura”, refere Johnny Hanna. “Quando um edifício é bem reabilitado, não beneficia apenas quem investe ou quem o habita. Beneficia toda a rua e o bairro envolvente.”

Carregue na galeria para conhecer melhor os dois empreendimentos.

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