Vivemos a cidade em piloto automático. Passamos pelas mesmas ruas, cruzamos os mesmos caminhos e raramente paramos para olhar com atenção para o que nos rodeia. Há zonas que ficam para trás, histórias que não conhecemos e paisagens que parecem invisíveis no meio da rotina. Agora, há uma nova desculpa para abrandar e redescobrir o Porto com outros olhos.
O Matadouro — Centro Cultural do Porto lançou o “Caminhos a Oriente”, o seu primeiro programa fora de portas, que convida a explorar a zona oriental da cidade através de caminhadas participadas. A iniciativa arrancou no passado domingo, 22 de março, e prolonga-se até ao final do ano, sempre aos domingos, às 11 horas. A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia online.
O programa foi desenhado a partir da proposta de João Covita, diretor executivo da Direção de Convergências e coordenador do projeto, e organiza-se em três eixos, cada um com uma leitura distinta deste território. O arquiteto e investigador Mário Mesquita orienta “Povoamento — Territórios Transformados”, focado na ação humana na paisagem. A coreógrafa e performer Ana Rocha assume “Criação — Territórios Imaginados”, centrado na prática artística. Já o sociólogo Virgílio Borges Pereira propõe “Identidade — Territórios Vividos”, com uma abordagem às memórias e rotinas locais.
Mais do que caminhadas, estes percursos funcionam como exercícios de observação e escuta, cruzando história, comunidade e espaço urbano. O foco está no Vale de Campanhã, uma zona marcada por antigas áreas industriais, bairros populares e novos projetos, onde diferentes tempos da cidade coexistem.
Até ao final de abril, vai haver vários percursos confirmados. O Caminho Inaugural aconteceu a 22 de março, seguindo-se “Entre Aldeias — da Quinta da China a Noeda”, a 29 de março, um trajeto entre antigos núcleos rurais e urbanos na encosta do Douro. A 5 de abril, “De Onde e Como Partimos” propõe uma leitura sensível entre Costa Cabral e Contumil, explorando o que normalmente passa despercebido no quotidiano.
No dia 12 de abril, “Caminhar a Política do Espaço” percorre zonas habitacionais de Campanhã para refletir sobre a construção da cidade e as políticas urbanas. A 19 de abril, “Indústrias em Transformação — a Rua do Freixo” foca-se na paisagem industrial e nas marcas deixadas pela atividade fabril. Já a 26 de abril, “Um Lugar Pode Contar a História de Outros” convida a olhar para as presenças afrodescendentes e as memórias culturais da zona oriental.
Ao todo, estão previstos 31 percursos ao longo de 2026. A proposta é simples: caminhar devagar, observar melhor e, pelo caminho, construir uma nova relação com a cidade.
Ver esta publicación en Instagram

LET'S ROCK






