fora de casa

Há um novo hotel no Bairro das Artes com alma portuense e toque mediterrânico

O 705 O'Porto abriu a 1 de julho, com 85 quartos, arte, jardins interiores e uma identidade inspirada no Porto e no Mediterrâneo.

Há hotéis onde se vai apenas dormir e outros que querem fazer parte da cidade. O novo 705 O’Porto Hotel, que abriu em regime de soft opening esta quarta-feira, 1 de julho, no Bairro das Artes, enquadra-se na segunda categoria. Em vez de se apresentar apenas como mais uma unidade hoteleira no centro do Porto, assume desde o primeiro dia a ambição de se tornar um ponto de encontro entre hóspedes, vizinhos, artistas e visitantes, cruzando a hospitalidade típica da cidade com influências mediterrânicas e uma forte ligação à cultura local.

Instalado entre a Rua da Maternidade e a Rua de Miguel Bombarda, numa das zonas mais criativas da cidade, o projeto é a mais recente aposta da Hotels Seven O Five, marca que iniciou atividade no Porto há cerca de dois anos com o 705 Porto Prime Home, um aparthotel de quatro estrelas na Faria Guimarães. O grupo prepara ainda a abertura de uma terceira unidade, também de quatro estrelas, na Rua de Santa Catarina, reforçando a estratégia de crescimento na cidade.

Para Teresa Martins, diretora-geral da Hotels Seven O Five, a prioridade nunca foi criar um espaço fechado sobre si próprio. “Não queremos ser mais um hotel. Queremos fazer parte do local onde estamos inseridos“, explica à NiP.

“Os hotéis, muitas vezes, acabam por ser vistos como um problema para quem vive nos centros históricos. Nós queremos exatamente o contrário. Queremos que os vizinhos sintam que esta também é a casa deles.”

Essa filosofia sente-se logo na forma como o projeto foi pensado. O 705 O’Porto Hotel reúne 85 quartos, distribuídos por três edifícios, entre 70 duplos, 13 individuais e duas suites. Grande parte das unidades dispõe de varanda ou terraço, uma característica pouco habitual em hotéis de cidade. No interior, dois jardins ligam os diferentes blocos, criando uma atmosfera tranquila que contrasta com o movimento constante das ruas envolventes.

“Queremos que as pessoas sintam que podem fazer uma pausa”, refere Teresa Martins. “Entram no hotel e parece que saíram da azáfama da cidade. Há espaços para descansar, para preparar um concerto, para tomar um café ou simplesmente aproveitar o jardim.”

A decoração segue a mesma lógica. Em vez de reproduzir elementos tradicionais de forma literal, o hotel reinterpretou algumas referências locais através de uma linguagem contemporânea. Nos quartos predominam os tons terracota, verde e azul, inspirados nas paisagens mediterrânicas, enquanto diferentes apontamentos remetem para os mosaicos, os azulejos e o artesanato português. Até o futuro restaurante, atualmente em fase final de desenvolvimento, se chamará Mosaico, numa referência direta a essa identidade.

A componente artística também terá um papel central. Localizado no coração do Bairro das Artes, onde se concentra uma das maiores densidades de galerias por metro quadrado da cidade, o hotel quer abrir espaço à comunidade criativa através de exposições temporárias, residências artísticas e curadorias regulares.

 
 
 
 
 
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“Nós não queremos limitar os artistas”, explica a diretora. “Os corredores continuam propositadamente com paredes brancas porque queremos que cada projeto seja pensado para este espaço. A ideia é que os artistas sintam primeiro o hotel e criem algo especificamente para ele.”

Além das exposições, estão previstas instalações tridimensionais, intervenções nos espaços exteriores, música ao vivo, sessões com DJ e uma agenda própria de eventos, que acompanhará tanto a programação cultural da cidade como os concertos da vizinha Super Bock Arena. O objetivo passa por aproximar hóspedes e residentes, transformando o hotel num ponto de encontro aberto também à comunidade local.

O serviço procura seguir esta lógica de proximidade. À chegada, cada hóspede recebe sugestões personalizadas sobre exposições, espetáculos e acontecimentos culturais a decorrer na cidade, criando roteiros adaptados ao perfil de cada visitante.

“Queremos que quem fique connosco conheça verdadeiramente o Bairro das Artes e o Porto”, explica Teresa Martins. “Se houver uma inauguração de uma exposição ou um concerto naquela semana, faz sentido que essa informação faça parte da experiência.”

Nesta primeira fase, o hotel abriu com o alojamento, o bar, o ginásio, concierge disponível 24 horas por dia e uma pequena sala de reuniões. O restaurante está previsto abrir durante os meses de verão, mas o conceito gastronómico já está definido: uma carta inspirada na cozinha mediterrânica, centrada na partilha e nos sabores sazonais.

Essa influência começa logo ao pequeno-almoço, servido em bufete exclusivamente para hóspedes durante a fase inicial de funcionamento. A oferta incluirá produtos de charcutaria, ingredientes mediterrânicos e uma seleção que irá mudando ao longo do ano.

“Queremos que o pequeno-almoço também reflita o conceito do hotel”, explica a responsável. “Vamos introduzir produtos menos habituais num bufete tradicional e adaptar a oferta à sazonalidade, para que os hóspedes sintam essa identidade desde o início do dia.”

A aposta estende-se também à inovação e à sustentabilidade. A unidade encontra-se a concluir um processo de certificação ambiental e já integra soluções tecnológicas pensadas para melhorar a experiência dos hóspedes, como um sistema digital que permite indicar, através de um simples botão no quarto, se pretendem limpeza ou preferem não ser incomodados.

Quanto aos preços, durante esta fase de abertura, começam nos 110€ por noite para quartos individuais e nos 135€ para quartos duplos, embora possam variar consoante a procura e a época do ano.

O perfil de cliente que a marca espera atrair é relativamente transversal, mas com um interesse comum pela cultura, pela autenticidade e pela descoberta da cidade. “Estimamos receber sobretudo pessoas entre os 25 e os 55 anos, mas quem vai definir verdadeiramente o nosso público serão aqueles que nos escolherem”, sublinha Teresa Martins. “O que procuramos são pessoas que queiram viver o Porto para além dos roteiros habituais.”

Mais do que acrescentar outro hotel ao mapa da cidade, a Hotels Seven O Five acredita que este novo projeto pode ajudar a reforçar a identidade de um dos bairros mais criativos do Porto. “Queremos que este seja um espaço onde hóspedes, artistas e vizinhos se cruzem naturalmente”, resume a diretora. “Porque só assim conseguimos fazer parte da cidade e não apenas estar dentro dela.”

Carregue na galeria para conhecer o novo hotel do Porto. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Maternidade, 62

    4050-369 Baixa
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€

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