Desde o início da década de 1950 que o Café Bela Cruz faz parte da paisagem da frente marítima do Porto. Com o icónico torreão virado para a praia do Castelo do Queijo, o espaço atravessou gerações como café e, mais tarde, como discoteca, antes de encerrar portas em 2015. Agora, mais de dez anos depois, prepara-se para entrar numa nova fase — e parte da estrutura vai desaparecer.
Segundo avançou o “Jornal de Notícias”, o emblemático Café Bela Cruz será parcialmente demolido para dar lugar a um prédio de habitação coletiva. O imóvel, fechado desde 2015, já tem afixado um aviso de “Licença de obras de ampliação e alteração”, emitido pela Câmara do Porto a 13 de maio.
O projeto, aprovado a 30 de janeiro de 2025 pelo anterior executivo municipal liderado por Rui Moreira, prevê a construção de um edifício com três pisos acima da cota de soleira e dois pisos subterrâneos destinados a estacionamento. Ao todo, estão previstos oito apartamentos, entre tipologias T2 e T4, sem espaços comerciais.
Em resposta ao “JN”, a Câmara do Porto esclareceu que a intervenção “implica a sua demolição parcial”, mas garante que alguns dos elementos mais reconhecíveis do Bela Cruz serão preservados. “É mantida a fachada original e a torre de controlo do Bela Cruz”, adiantou a autarquia.
Também deverão ser conservados os alinhamentos e materiais das fachadas voltadas para a Avenida da Boavista e para a Praça de Gonçalves Zarco, incluindo os elementos em pedra existentes e o icónico torreão.
Apesar da aprovação do projeto pelo anterior executivo, a atual Câmara Municipal, presidida por Pedro Duarte, diz que vai “avaliar o projeto, tendo em vista o seu enquadramento urbanístico na área envolvente”.
A autarquia revelou ainda que está em diálogo com o promotor imobiliário — uma empresa sediada em Chaves — para tentar encontrar “novas soluções urbanísticas que melhor se enquadrem na nova visão de cidade”. O projeto teve parecer favorável da CCDR-Norte na área da Cultura, uma vez que o edifício se encontra numa zona de proteção de imóveis classificados ou em vias de classificação.
Esta não é a primeira vez que o futuro do Bela Cruz gera discussão. Em 2021, Pedro Baganha tinha recusado uma proposta de demolição total do edifício, defendendo que o espaço “faz parte do imaginário coletivo da cidade do Porto” e que qualquer intervenção deveria preservar “a fachada para a Avenida da Boavista, o terraço superior e o torreão”.







