Guardado dentro de um vaso de vidro, protegido por uma caixa de mogno e fechado num mausoléu, o coração de D. Pedro IV raramente pode ser visto pelo público. Quatro anos depois da última exposição, a relíquia volta a sair do seu local habitual para ser apresentada entre sexta-feira, 25, e domingo, 27 de setembro.
A exposição terá lugar no Salão Nobre da Irmandade da Lapa, com entrada gratuita. Na sexta-feira e no sábado, as visitas decorrem entre as 14 e as 18 horas. No domingo, o horário será alargado: o público poderá entrar entre as 10 e as 16 horas, sem necessidade de marcação prévia.
Além de permitir observar o coração do antigo monarca, a iniciativa conjunta da Câmara do Porto e da Irmandade da Lapa propõe um percurso pela sua vida, pela relação que manteve com a cidade, pelo Liberalismo e pela Guerra Civil Portuguesa.
Conhecido como D. Pedro I no Brasil e D. Pedro IV em Portugal, o monarca conduziu o território brasileiro à independência. O corpo encontra-se em São Paulo, mas o coração permanece no Porto por vontade do próprio. A decisão foi uma forma de agradecer a lealdade e o apoio da cidade durante o Cerco do Porto, entre 1832 e 1833, um dos episódios mais importantes das Guerras Liberais. Desde 1835, a relíquia está entregue à Igreja da Lapa.
A anterior apresentação pública aconteceu em 2022, durante as celebrações dos 200 anos da Independência do Brasil. Nos dias 20 e 21 de agosto, mais de seis mil pessoas passaram pela Sala dos Atos da Irmandade da Lapa para ver o coração.
Depois, a relíquia atravessou o Atlântico numa viagem de 19 dias e foi apresentada em Brasília entre 25 de agosto e 5 de setembro, onde recebeu cerca de oito mil visitantes. Já de regresso ao Porto, voltou a ficar exposta na Igreja da Lapa durante o fim de semana de 10 e 11 de setembro. Terminadas as visitas, um cerimonial devolveu o vaso ao mausoléu.
A nova exposição surge depois de uma intervenção na Galeria dos Retratos da Irmandade da Lapa, espaço que assegura o acesso do público. Os trabalhos incluíram a reparação e impermeabilização da área, além da recuperação do teto, num investimento municipal de 2.550€.







