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Obras vão transformar o Coliseu do Porto: vai ter museu e miradouro com vista para a cidade

Autarquia e Governo admitem reforço de dois milhões. A reabilitação prossegue até 2027, sem suspender os espetáculos.

Durante cerca de um ano, uma rede protegeu o público enquanto decorria a intervenção num dos elementos mais reconhecíveis do Coliseu do Porto. Agora, o teto da sala está novamente à vista, depois de concluída a primeira fase de uma reabilitação profunda que deverá prolongar-se até ao final de 2027. A novidade foi anunciada esta quarta-feira, 9 de setembro, pela Câmara do Porto, que revelou estar disponível para reforçar o apoio financeiro às obras.

O presidente da autarquia, Pedro Duarte, visitou o edifício acompanhado pelo ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, pelo vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado e pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Álvaro Santos. A visita foi orientada por Miguel Guedes, presidente da Associação Amigos do Coliseu do Porto.

Governo e Município admitem disponibilizar mais dois milhões de euros, numa divisão que poderá representar cerca de um milhão para cada entidade. A estimativa ainda é preliminar e terá de passar por uma análise técnica, mas Pedro Duarte confirmou a disponibilidade da autarquia para encontrar o financiamento necessário, incluindo através de fundos comunitários.

“Estamos a fazer já um esforço grande nesta componente inicial das obras e temos disponibilidade para agora, em conjunto com o Governo, complementarmos aquilo que for necessário”, afirmou. Para o autarca, preservar o edifício significa também proteger uma parte da cidade. “O Coliseu é, indubitavelmente, uma das marcas da cidade.”

A Câmara já tinha atribuído, em julho, um apoio adicional de 350 mil euros à empreitada. O financiamento comunitário garantido ronda os 2,5 milhões de euros. Segundo os dados divulgados pelo Norte 2030, a componente das obras representa um investimento global de 3,08 milhões de euros, com 2,45 milhões de comparticipação FEDER. Ao reequipamento estão associados mais 175 mil euros, dos quais 149 mil também provêm de fundos europeus.

O valor continua abaixo das necessidades identificadas no edifício, estimadas entre sete e oito milhões de euros. O possível reforço conjunto anunciado agora elevará para cerca de 4,5 milhões o apoio referido durante a visita. “Não havia obras estruturais desde a construção do Coliseu. Era muito urgente fazê-las”, explicou Manuel Castro Almeida.

Inaugurado a 19 de dezembro de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, o Coliseu nasceu de um projeto marcado pelo trabalho dos arquitetos Cassiano Branco e Júlio de Brito. A sala da Rua de Passos Manuel tornou-se palco de concertos, ópera, dança, teatro, circo, cinema e grandes eventos populares.

Em 1995, a possibilidade de o edifício ser vendido à Igreja Universal do Reino de Deus provocou uma forte mobilização na cidade. Desse processo nasceu a associação sem fins lucrativos que adquiriu e passou a gerir o Coliseu. No ano seguinte, um incêndio destruiu a caixa de palco e provocou estragos na sala e nos camarins, o que obrigou a outra intervenção de grande dimensão. Desde 2012, o imóvel está classificado como monumento de interesse público.

As obras atuais começaram no final de julho de 2025 pelo telhado e pelo teto. Seguem-se a recuperação da fachada, que apresenta fissuras, a intervenção na torre de dez metros, a instalação de elevadores, nova iluminação, repavimentação e melhorias na climatização. Na torre deverá nascer o futuro Museu do Coliseu, integrado num espaço de visitação com um miradouro sobre a cidade.

“É uma obra inacabada. Há muita coisa ainda por fazer”, reconheceu Miguel Guedes. Todo o plano foi preparado para permitir que o Coliseu continue aberto. Até à conclusão dos trabalhos, os espetáculos mantêm-se e a reabilitação avança sem retirar o público da sala que atravessou 85 anos de história.

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