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Polémica do Bela Cruz: arquitetos do projeto garantem que “não vão destruir”

O arquiteto Manuel Ventura garante que o projeto vai preservar os elementos mais emblemáticos do edifício junto ao Castelo do Queijo.

Durante mais de seis décadas, o Café Bela Cruz foi um dos pontos de encontro mais icónicos da frente marítima do Porto. Inaugurado em 1952, começou como café e salão de chá, transformou-se mais tarde em clube e discoteca e encerrou definitivamente em 2015. Agora, o edifício prepara-se para entrar numa nova (e polémica) fase. No lugar onde várias gerações conviveram vão nascer apartamentos de luxo. Perante a controvérsia que se tem gerado nas redes sociais, os responsáveis pelo projeto garantem que os elementos mais emblemáticos do espaço serão preservados.

Como a NiP revelou a 29 de maio, o antigo Café Bela Cruz será parcialmente demolido para dar lugar a um empreendimento habitacional promovido pelo Grupo MCaetano, do empresário e antigo futebolista Agostinho Manuel Caetano. Entretanto, numa entrevista ao “Jornal de Notícias”, publicada este domingo, 31 de maio, o arquiteto Manuel Ventura revelou novos detalhes sobre a intervenção e respondeu às críticas geradas pelo anúncio da transformação.

“Não vamos destruir; vamos acrescentar à cidade, qualificar e trazer vida à Rotunda do Castelo do Queijo, que bem precisa”, afirmou ao “JN”. Segundo o responsável pelo projeto, existiu desde o início a intenção de preservar os elementos mais reconhecíveis do imóvel, nomeadamente o torreão, o coruchéu, o terraço e as fachadas voltadas para a Avenida da Boavista e para a Praça de Gonçalves Zarco.

“O próprio desenho do edifício é inspirado na entrada do Bela Cruz. Houve uma intenção de criar um diálogo, não por rutura, mas por haver continuidade do desenho”, acrescentou.

O novo edifício terá três pisos acima da cota de soleira e dois pisos subterrâneos destinados a estacionamento. Ao todo, estão previstos 11 apartamentos de luxo, entre tipologias T2 e T4. O projeto inclui também um terreno contíguo adquirido em hasta pública pela promotora por 2,5 milhões de euros.

De acordo com Manuel Ventura, na mesma publicação, a nova construção não ocupará a área principal do antigo café. O edifício será construído no local onde funcionaram a antiga discoteca e os armazéns do Bela Cruz, na parte posterior do imóvel. Já a zona do café será integrada no novo empreendimento e transformada no hall de entrada do prédio.

O arquiteto defende ainda que o Bela Cruz nunca teve proteção patrimonial formal e recorda que o imóvel poderia ter sido totalmente demolido. Ainda assim, garante que existiu uma vontade conjunta entre promotor, equipa projetista e técnicos municipais para “preservar os elementos que fazem parte da memória coletiva da cidade”.

Apesar da aprovação obtida no anterior mandato municipal, a atual Câmara do Porto, liderada por Pedro Duarte, revelou ao “JN” que continuará a avaliar o projeto, tendo em conta o enquadramento urbanístico da zona envolvente. A autarquia confirmou também que mantém diálogo com o promotor para estudar eventuais ajustamentos à proposta.

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