Na escola e na universidade, os amigos fazem-se a cada esquina, mas e depois? Na vida adulta, alargar o círculo de amizades é uma tarefa mais complicada. Foi precisamente essa dificuldade, sentida na primeira pessoa, que levou Francisca Guedes de Oliveira a criar o The Vibe Club, uma comunidade feminina no Porto onde qualquer mulher pode chegar sem conhecer ninguém.
Aos 28 anos, a fundadora trabalha em gestão de marketing e é licenciada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Nasceu em Matosinhos, cresceu rodeada de pessoas e, durante três anos, jogou na seleção nacional de voleibol. Passou também por um colégio interno, dois contextos onde as amizades surgiam naturalmente.
Mais tarde, os círculos começaram a mudar. Alguns amigos emigraram, outros seguiram caminhos diferentes e a entrada no mercado de trabalho retirou-lhe os espaços onde convivia diariamente com as mesmas pessoas. Entre 2020 e 2023, Francisca viveu em Lisboa por motivos profissionais, antes de regressar ao Porto.
“Eu não estava necessariamente sozinha, mas sentia que já não existiam os mesmos espaços naturais para criar novas ligações”, conta. As conversas com outras mulheres e os testemunhos que encontrava nas redes sociais mostraram-lhe que a dificuldade era partilhada. “Havia quase uma dificuldade comum em admitir ‘quero fazer amigas novas’, porque em adulta parece que supostamente já devíamos ter o nosso grupo definido.”
A ideia começou a ganhar forma a 14 de maio de 2026, quando publicou o primeiro vídeo do projeto no TikTok. Menos de três semanas depois, a 3 de junho, realizou o primeiro encontro, um workshop de cerâmica em parceria com o DoBarro. Os 12 lugares esgotaram depois de receber 74 inscrições. Bárbara Costa ajudou a fotografar, filmar e editar o momento, mas todo o restante projeto foi desenvolvido por Francisca.
É também ela quem pensa os conceitos, procura espaços e parceiros, gere inscrições, cria materiais e dinâmicas, responde às mensagens e acompanha a comunidade no WhatsApp, tudo em paralelo com um trabalho a tempo inteiro. “Há muito trabalho que acontece nos bastidores e que não é visível nas redes sociais”, admite. Com o rápido crescimento da iniciativa, conciliar as duas atividades tornou-se um dos principais desafios.
O nome representa a energia, a autenticidade e as diferenças de cada participante. Já a frase “Come alone, leave with friends” resume o propósito, sem prometer que uma amizade profunda nasça em duas horas. Pode significar trocar um contacto, combinar um café ou encontrar alguém com quem apeteça voltar a conversar.
Os encontros são exclusivos para mulheres e dirigem-se sobretudo à faixa etária entre os 23 e os 35 anos, embora não exista limite de idade. Participam recém-chegadas à cidade, portuenses que querem alargar o círculo social e mulheres que atravessam uma nova fase da vida. Também não é preciso ser extrovertida ou dominar a arte de puxar conversa.
Para responder a diferentes personalidades, Francisca criou três formatos. Os Intimate Meetups recebem até 14 pessoas e privilegiam grupos pequenos. Os Experience Meetups podem chegar às 30 participantes e recorrem a atividades como cerâmica, ioga, karaoke ou um jogo de fuga para facilitar o primeiro contacto. Os Social Meetups são maiores, abertos, gratuitos e não exigem inscrição. O mais concorrido juntou cerca de 50 mulheres.

Cada sessão começa com um pequeno quebra-gelo. No “Sing Your Vibe Out”, as participantes votaram numa de quatro músicas para abrir o karaoke e Francisca assumiu a primeira atuação. Depois, responderam a uma pergunta sobre o plano ideal para fazer com uma amiga ao fim de semana.
No Sunset Meetup, cada mulher caminhou ao lado de outra e tentou descobrir o que a tinha levado até ali. Quando chegaram à praia, apresentaram a companheira em vez de falarem sobre si próprias. “Tento criar o ambiente e dar aquele primeiro empurrão; o resto acaba quase sempre por acontecer sozinho”, explica.
A programação tem incluído entre três e quatro encontros por mês. Já houve cerâmica, karaoke, uma aula de ioga na praia, uma ida a uma sala de fuga, encontros num parque e o “Coffee & Conversations”, que reuniu 50 participantes num café com um DJ set. Segundo os números partilhados pelo projeto, mais de 200 mulheres já passaram pelas atividades. A comunidade soma ainda 787 membros no WhatsApp, mais de dois mil seguidores no Instagram e um número semelhante no TikTok.
Algumas ligações continuaram fora dos eventos. Francisca conhece mulheres que passaram a combinar cafés, jantares, concertos e saídas depois de se encontrarem na The Vibe. Já existem até grupos de WhatsApp criados pelas próprias participantes, um dos sinais mais claros, para a fundadora, de que a iniciativa está a cumprir o propósito.
Os preços dependem da atividade e do que está incluído e variam entre 20€ e 40€. Os encontros sociais são sempre gratuitos e basta aparecer. Nas experiências e sessões intimistas, as vagas são limitadas e a inscrição é feita através de um formulário. Não existe mensalidade para integrar a comunidade nem para entrar no grupo Early Access, onde são divulgadas novidades, abertas sondagens e disponibilizados antecipadamente alguns lugares.
Ainda não foram anunciadas novas datas depois do “Meet & Vibe”, realizado a 5 de setembro no Parque da Cidade. Os próximos encontros serão divulgados no Instagram da The Vibe Club e no grupo de WhatsApp. A comunidade também participa na escolha, através de votações sobre as experiências que gostaria de repetir ou experimentar.
Francisca quer levar o conceito a outras cidades, mas sem perder a proximidade que o fez crescer. “Não tenho pressa em transformar o projeto em algo enorme só por ser enorme”, afirma. “Quero que cresça com intenção e que continue a ser um espaço onde alguém possa aparecer sozinho e sentir que pertence.”
Carregue na galeria para espreitar alguns dos encontros que já marcaram o clube The Vibe.







