Durante mais de um ano, a clássica fotografia-postal junto a um dos murais de azulejos azuis e brancos mais típicos da cidade vai ser impossível de tirar. A Capela das Almas, na Rua de Santa Catarina, vai começar a ser coberta por andaimes e telas de proteção já em setembro, para permitir o restauro de uma das fachadas mais conhecidas do Porto. A intervenção deverá prolongar-se durante 14 meses, segundo avançou o “Público”.
As obras já tinham sido anunciadas em fevereiro, depois da publicação do concurso público em Diário da República. A empreitada, da responsabilidade da Venerável Irmandade das Almas e Chagas de São Francisco, representa um investimento de cerca de 460 mil euros. Além do tratamento dos azulejos, estão previstos trabalhos em alvenarias, rebocos, cantarias, estuques, pinturas, carpintarias e sistemas de impermeabilização.
A intervenção pretende travar a degradação visível há vários anos. Algumas peças já desapareceram da fachada e outras encontram-se em mau estado. “Esta obra tem como objetivo preservar o património e é uma necessidade urgente, fruto do estado de degradação daquela fachada”, explicou em fevereiro o padre Álvaro Mancilha, responsável pela irmandade, citado pelo “Jornal de Notícias”.
Apesar de parecerem tão antigos quanto o próprio templo, os azulejos só chegaram no século XX. A Capela das Almas, também conhecida como Capela de Santa Catarina, foi construída no início do século XVIII, no lugar onde antes existia uma pequena capela de madeira dedicada à santa.
O exterior permaneceu caiado de branco até 1929, quando recebeu os 15.947 azulejos desenhados pelo ceramista e pintor Eduardo Leite e produzidos na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, em Lisboa. Distribuídas por cerca de 360 metros quadrados, as peças representam episódios das vidas de São Francisco de Assis e de Santa Catarina. O conjunto já tinha sido alvo de uma recuperação em 1982.
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