na cidade

A caminhada gratuita para (re)visitar 5 espaços icónicos do Porto

O evento insere-se no projeto Campos Magnéticos e acontece no próximo sábado, 1 de junho.
É a última caminhada do projeto que começou em outubro.

O Campos Magnéticos é um arquivo-vivo que procura mapear, organizar e divulgar uma rede informal de espaços geridos por artistas e curadores independentes no Porto, a partir dos anos 80. O projeto portuense tem vindo a realizar-se desde outubro do ano passado, devendo terminar no próximo mês. Conta ainda com o desenvolvimento de uma plataforma digital, um programa de Expansões de Campo, apresentações, uma exposição no Espaço MIRA e o lançamento de uma publicação final.

A iniciativa é organizada pela sua fundadora Filipa Valente, de 25 anos e natural de Aveiro, que tem desenvolvido um percurso híbrido entre arte, curadoria e educação artística. É formada em Artes Visuais e Tecnologias Artísticas, na Escola Superior de Educação e colabora com o Serviço Educativo da Fundação de Serralves. É ainda cofundadora do espaço Galeria Ocupa, que a levou a investigar a rede informal de espaços culturais autogeridos durante o mestrado em Estudos Curatoriais, no Colégio das Artes — UC, culminando na criação do Campos Magnéticos.

“O projeto procura examinar os contornos da ‘artist-lead scene’ portuense, investigando em paralelo o percurso do artista (marginal, emergente, consagrado ou sobrevivente) e a natureza cíclica da cidade (fracasso, nostalgia, expansão, gentrificação), concentrando a nossa atenção na função do estúdio, isto é, do privado ao público”, começa por explicar a jovem à NiP. 

Nesse sentido, o projeto parte de uma abordagem da História da Arte Contemporânea e tem em consideração a força do movimento alternativo, que tem vindo a renovar-se ao longo dos últimos anos no Porto, contando com centenas de protagonistas. “O objetivo da nossa plataforma digital é levantar, de uma forma exaustiva, os espaços geridos por artistas e curadores independentes desde os anos 80, alguns dos quais se encontram atualmente encerrados. Contamos com um arquivo-vivo de cerca de 150 localizações, englobando práticas e tipologias diferentes”, acrescenta.

Prevê-se, assim, que a plataforma seja periodicamente atualizada, em direção ao futuro e ao passado, e que seja introduzida informação complementar sobre cada espaço, como a morada, weblinks, horário de funcionamento, contactos, imagens, e até reflexões. Os dados apresentados na plataforma digital são colocados em contacto com o mundo real, através de caminhadas.

A ideia é abrir as portas dos espaços independentes, enquanto tornam presentes os que se encontram encerrados, convocando a presença dos seus agentes. Os percursos têm vindo a realizar-se desde outubro do ano passado. Ao todo, estão previstas dez caminhadas, divididas em cinco paragens ou estações.

A última caminhada acontece no próximo sábado, 1 de junho, entre as 15 e as 17 horas, e vai passar pelos seguintes espaços: i o d o, Galeria Ocupa, Pedreira, Espaço Campanhã e Espaço MIRA. Estes cinco espaços autogeridos situam-se entre a Rua Justino Teixeira, sendo este o ponto de encontro, no número 601. O final é na Rua de Miraflor. A participação é gratuita e não requer inscrição prévia, basta aparecer. Em cada caminhada, os participantes recebem uma coleção de mapas, com todos os espaços que têm vindo a ser visitados desde o início do projeto, em outubro. 

MAIS HISTÓRIAS DO PORTO

AGENDA