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A vida de Ângelo Rodrigues no Nepal. Limpa, entoa cânticos, reza e dá aulas a monges

Vive num templo budista, um misto de retiro espiritual e voluntariado. Ensina miúdos com "um nível de inglês melhor" que o dele.

Três anos depois do acidente que o deixou entre a vida e a morte, Ângelo Rodrigues parece andar de país em país à procura do significado da vida. Segundo o próprio, o novo Ângelo é agora um homem dedicado a causas solidárias e, de mochila às costas, viaja para descobrir as singularidades de cada país. Fazer voluntariado é, para ele, “um caminho sem volta”.

Em agosto de 2019, o ator esteve em coma induzido na unidade de cuidados intensivos no Hospital Garcia da Horta devido a uma infeção na perna esquerda provocada por um tratamento de reposição hormonal mal executada que poderia ter sido fatal. Em maio de 2021, quando ainda estava a recuperar de mais uma cirurgia de reconstrução do membro inferior, recebeu a notícia de que tinha um casting para a série brasileira “Olhar Indiscreto”, da Netflix, como contou à NiT em abril deste ano. Pouco depois, em junho, o ator voltou a ser submetido a uma nova cirurgia à perna. Em três anos fez 12 operações.

Ângelo Rodrigues nunca escondeu que adorava viajar e conhecer novas culturas — já soma 34 países no passaporte. Antes do problema de saúde chegou a dar aulas de teatro a presos, crianças e adolescentes no Brasil e em África, que deu origem ao documentário “A Terra dos Mil Sorrisos”, em 2017. Mais recentemente, viajou até à Amazónia onde viveu com uma tribo indígena, e foi lá que gravou o filme documental  “Não Há Espelhos na Amazónia”, lançado no final de 2020.

Cerca de dois meses após a sua última cirurgia, Angêlo resolveu deixar a representação em stand-by — o que não significa que tenha deixado as câmaras de lado. O ator partiu para mais uma viagem que poderá dar origem a um novo documentário. De mochila às costas, chegou ao Nepal no dia 29 de agosto.

Nesta nova aventura, não está a dar aulas de teatro a presos, nem a descobrir uma região remota na companhia de uma tribo. Ensina inglês a jovens monges num mosteiro budista, no âmbito de um programa de uma ONG (organização não governamental) que apoia comunidades desfavorecidas no país asiático, conhecido pelos seus templos. 

“Eis o que me trouxe ao Nepal: a oportunidade de dar aulas de inglês a jovens monges num mosteiro budista, perto de Kathmandu, e viver no templo onde moram 150 monges. Desejem-me sorte”, partilhou o ator através de uma story no Instagram. Quase um mês depois da sua chegada ao país, continua a ensinar a língua estrangeira a miúdos e adolescentes dos 7 aos 17 anos e ainda não se sabe quanto tempo irá ficar por lá. O ator agora sem grandes luxos, participa nas tarefas diárias do templo, brinca com os miúdos e a reza entre os monges.

A sua nova vida é um misto de retiro espiritual e experiência de voluntariado, segundo o que vai partilhando nas redes sociais sobre o seu dia-a-dia. Sabemos que aos sábados, por exemplo, é dia de limpeza no templo budista. E esta segunda-feira, 26 de setembro, o ator partilhou nas histórias do Instagram parte de uma aula de memorização de cânticos tibetanos (os cantos litúrgicos praticados pelos religiosos budistas), onde explica que “existe um capitão por bancada, que garante que todos falam corretamente”. Num dos momentos, filma os monges a falar inglês e brinca: “têm um nível de inglês bem melhor que o meu”.

Carregue na galeria para ver alguns momentos de Ângelo Rodrigues no Nepal.

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