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Ano novo, preços novos: prepare-se para tudo o que vai aumentar em 2024

A vida dos portugueses vai ficar ainda mais cara a partir de janeiro. Há subidas de preços nas telecomunicações, transportes e comida.
O cenário está cada vez pior.

Janeiro é o mês dos recomeços, mas também traz mudanças que não vão ser nada boas para as carteiras dos portugueses. Com a viragem do ano, chegam os novos preços — e o melhor é mesmo preparar-se, porque a sua vida vai piorar.

Uma das maiores mudanças diz respeito ao salário mínimo, que sobe para 820€ já a partir de janeiro. Em contrapartida, o custo de vida também vai ficar mais caro, com a subida de várias despesas essenciais, como as telecomunicações, os transportes e as rendas das casas. Ou seja: no final do mês, a balança das contas não vai cair para o seu lado. É uma história que se tem vindo a repetir ano após ano.

Para se começar a preparar para 2024, a NiT antecipa os principais aumentos que estão a caminho. 

Portagens

Quem costuma deslocar-se de carro para o trabalho e é obrigado a passar pelas portagens vai sentir uma diferença na carteira no final do mês. Isto porque os preços nas autoestradas portuguesas vão aumentar 2,04 por cento já a partir desta segunda-feira, 1 de janeiro.

Esta subida tem por base a taxa de inflação homóloga, que ficou nos 1,94 por cento, de acordo com os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A este valor soma-se ainda 0,1 por cento devido ao acordo feito em 2022 entre o governo e as concessionárias.

Em 2021, a evolução homóloga, sem habitação, superou os 10 por cento, valor que levou o governo a negociar com as concessionárias para travar o aumento. Em vez da subida de 10,44 por cento que a concessionária de autoestradas Ascendi tinha proposto em novembro, a subida foi de 4,9 por cento. Desse valor, uma parte (2,8 por cento) foi da responsabilidade do Estado, e o restante suportado pelas empresas. Como compensação, as concessionárias podem agora aumentar, nos próximos quatro anos, em mais 0,1 por cento o valor da taxa que foi determinada pelo INE. 

No caso das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, que custavam 2€ e 3,05€, respetivamente, o preço também sofreu alterações. Os valores vão aumentar para 2,10€ e 3,15€.

Transportes

O passe Navegante que abrange toda a Área Metropolitana de Lisboa vai manter o preço, mas o mesmo não se pode dizer da Carris, Fertagus e CP. O valor de uma viagem de autocarro vai aumentar de 2€ para 2,10€. Porém, a maior subida será no bilhete para o Elevador de Santa Justa, que passará de 5,30€ para 6€. As subidas e descidas nos ascensores da Bica, Glória, ou Lavra (até suas viagens) aumentam 30 cêntimos relativamente a 2023, ficando a custar 4,10€.

As modalidades Zapping e Viva Go terão uma subida de 14 cêntimos, passando a custar 1,61€ (cada). Uma viagem que combine metro e autocarro passa a 1,80€, ou seja, sobe 15 cêntimos.

Já no caso da CP, os títulos de transporte dos serviços Alfa Pendular e Celta terão um aumento médio de 6,25 por cento. Os restantes serviços vão sofrer uma subida média mensal de 6,43 por cento.

Em termos práticos, isto significa que um bilhete para viajar de Alfa Pendular entre o Porto e Lisboa, que custava 31,9€, passa a 33,9€ (classe turística). Entre Porto e Faro, por exemplo, vai aumentar 3,4€, passando a custar 57,4€. 

Nos comboios urbanos de Lisboa, o aumento será de dez cêntimos. Ou seja: os bilhetes passam a custar 1,45€ (uma zona) e 1,75€ (duas zonas), sendo que os ingressos que forem comprados através do cartão zapping subirão de 1,90€ para 2€.

Para quem vive na margem sul do Tejo, apanhar a Fertagus também será 6,43 por cento mais caro. Uma viagem entre Setúbal e Lisboa, por exemplo, custa agora 4,10€, mais 0,35€ do que em 2023.

Telecomunicações

As três maiores operadoras de telecomunicações de Portugal, MEO, NOS e Vodafone, vão subir os preços no início de fevereiro, em cerca de 4,6%. As decisões foram justificadas pelo aumento da inflação. Esta subida vai começar a ser sentida nas faturas dos clientes a partir de 1 de fevereiro.

A MEO revelou que vai aumentar as mensalidades dos pacotes, seguindo a variação do índice que mede a inflação durante 2023. Neste caso, já no início do ano, a 1 de janeiro, a operadora vai aumentar as mensalidades dos serviços pós-pagos móveis. Esta subida vai ser “pelo valor mínimo contratualmente previsto de 50 cêntimos (com IVA)”. Para as empresas, também foi anunciado um aumento de preços parecido.

Para os clientes da NOS, “o preço dos serviços” será regulado de acordo com a inflação. Este valor vai incidir “sobre as mensalidades de serviços, assim como as tarifas extra plafond”. “Os novos preços entrarão em vigor a 1 de fevereiro de 2024 e cada cliente poderá consultar a sua atualização específica no site da NOS a partir de 23 de janeiro de 2024”, expõe a empresa.

Apesar de a Vodafone ainda não ter avançado com valores em concreto, já alertou os clientes de que, “de acordo com os termos e condições previstos no contrato”, vai “atualizar o preço dos serviços de telecomunicações prestados aos seus clientes a partir de 1 de fevereiro de 2024″. As novas condições poderão ser consultadas a 15 de janeiro.

Eletricidade

As tarifas reguladas de eletricidade vão ter um aumento médio de cerca de 2,9 por cento face à média de 2023. Com este aumento, a fatura média mensal, a partir de janeiro, para um casal sem filhos, poderá aumentar cerca de 1,05€, enquanto que para um casal com dois filhos o aumento será de 3,27€, segundo os dados publicados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). 

O aumento deve-se ao facto de as tarifas de Acesso às Redes em 2023 terem sido negativas, “por via de Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) a devolver aos consumidores, que beneficiaram de modo significativo o Sistema Elétrico Nacional”.

Rendas da casa

Em 2024, as rendas vão ter a maior subida em 30 anos. Ao contrário do que aconteceu em 2023, em que o aumento ficou limitado a 2 por cento, não acompanhando a subida da inflação, o governo decidiu não aplicar qualquer travão à atualização dos valores este ano.

Quer isto dizer que os senhorios vão poder subir as rendas até 6,94 por cento, segundo o valor apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). É o valor mais alto desde 1994, com a subida a ser parcialmente atenuada pelo reforço do apoio aos inquilinos e da parcela das rendas que pode reduzir o IRS.

Para alguns inquilinos, o preço a pagar poderá ser ainda maior. A lei permite ao senhorios somarem a este valor o dos dois anos anteriores, caso tenham optado por não atualizar as rendas em 2022 e 2022. Nestes casos, aos 6,94 por cento, podem ser somados os 2 por cento de 2023, mais os 0,43 relativos ao ano anterior. 

Alimentação

Haverá poucos alimentos tão populares entre os portugueses quanto o pão, pelo que as previsões da Associação do Comércio e da Indústria da Panificação (ACIP) não são as mais animadoras. De acordo com a entidade, o custo deste produto deverá subir em 2024 devido aos aumentos dos custos de produção.

A percentagem exata do aumento ainda não foi divulgada. “Terão que ser feitos ajustamentos aos preços de venda, para mitigar os aumentos dos custos dos fatores de produção”, antecipou o presidente do conselho fiscal da ACIP, Hélder Pires.

Nos últimos meses temos assistido também a uma subida constante no preço de outros produtos do supermercado, como o azeite, que atingiu valores recorde em 2023: aumentou 90 por cento e, atualmente, custa em média 10€ por litro.

Os motivos para a inflação da gordura mais consumida do País são vários. Em primeiro lugar, é importante ter em conta as alterações climáticas. A chuva e o vento excessivos e fora de tempo prejudicaram fortemente a produção, que se reflete no preço para o consumidor final. 

De uma forma geral, o preço dos alimentos deverá subir 12 por cento a partir de janeiro, segundo as declarações de Carlos Lobo à Rádio Renascença. O fiscalista assegura que é o que tem acontecido em todos os países que aplicaram o IVA zero num cabaz de bens essenciais e depois revogaram a medida, levando os preços a disparar para o dobro do valor da taxa.

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