Muito antes de serem símbolos luminosos pendurados nas portas durante o mês de dezembro, as grinaldas já tinham um significado profundo. Na Roma Antiga eram oferecidas como votos de saúde; nas tradições nórdicas representavam proteção; e, ao longo da Idade Média, tornaram-se emblemas de união e boas-vindas. A sua forma circular — sem princípio nem fim — simboliza continuidade, harmonia e o desejo de receber com calor quem passa à porta. Hoje, continuam a marcar presença nas casas durante a época natalícia, mas ganham novo encanto quando são criadas de forma artesanal e sustentável. É precisamente essa reinvenção que o EcoPorto – Centro para a Circularidade da Cidade do Porto quer promover este ano, com uma oficina de Natal sustentável.
No próximo 13 de dezembro, entre as 10h e as 13h, o centro organiza um momento onde pais e filhos vão aprender a construir grinaldas reutilizando materiais que, de outra forma, seriam descartados. A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia no formulário disponível em online.
A oficina de Natal — conduzida por Patrícia Azevedo, criadora das iniciativas de reutilização do EcoPorto — foi pensada para todas as idades (crianças a partir dos 6 anos, sempre acompanhadas por um adulto). O objetivo é simples: transformar resíduos em peças natalícias únicas, promover a criatividade e incentivar hábitos mais conscientes numa época tradicionalmente ligada ao consumo excessivo. Cartão, fitas, restos de tecidos, recortes ou pequenas peças recolhidas de resíduos são reinventados em grinaldas decorativas cheias de personalidade e história.
Todos os dias, toneladas de objetos ainda úteis eram deixados nos ecopontos e ecocentros da cidade. Só em 2023, a Câmara Municipal recolheu 97 toneladas de equipamentos elétricos e eletrónicos, 336 toneladas de objetos fora de uso e 837 toneladas de madeiras. Muitos destes materiais tinham potencial para ser recuperado. Para responder a esse problema, a Porto Ambiente criou, no verão passado, o EcoPorto, construído a partir de contentores reutilizados no Ecocentro da Prelada.
Hoje, o espaço é um laboratório de circularidade, onde se aprende a reparar eletrodomésticos, restaurar móveis e prolongar a vida útil de objetos. Técnicos como Vítor e Bruno recuperam equipamentos que depois são doados a famílias e instituições, mostrando que a sustentabilidade não é apenas um conceito ambiental, mas também social. O centro tornou-se ainda um polo criativo, promovendo oficinas temáticas para aproximar a comunidade da reutilização e do consumo responsável.
A sessão agendada para 13 de dezembro é mais um capítulo deste trabalho. Além de ensinar uma técnica artesanal com história, pretende criar momentos de ligação em família. O método de Patrícia Azevedo assenta em cinco pilares: reutilização, inovação criativa, conexão comunitária, vagar (com lugares limitados para permitir foco) e zero desperdício, reintegrando todos os materiais sobrantes em futuras atividades.

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