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Já fomos conhecer as novas experiências inusitadas da cidade

Porto Secret Spots tem duas atividades diferentes ligadas à Universidade do Porto com várias curiosidades para descobrir.
Fotografia de Alexandre Campelo.

Já imaginou conhecer um edifício estratégico da altura da Guerra Fria, ver num mesmo local as seis pontes que ligam o Porto a Vila Nova de Gaia ou descobrir o interior de um observatório astronómico cuja cúpula se abre? Agora já pode fazer tudo isso.

Falamos das novas experiências da Porto Secret Spots, a empresa que tem outras atividades disponíveis como a Porto Bridge Climb — a subida à Ponte da Arrábida — ou a Porto 360 Super Bock Arena — a subida à cúpula do Pavilhão Rosa Mota. Assim, a experiência do Observatório Astronómico de Gaia e a do Instituto Geofísico da Universidade do Porto integram a lista de experiências desde 6 de maio.

Estas novidades já vinham a ser planeadas desde antes da pandemia, embora acabassem por sofrer atrasos por causa disso. Resultantes de uma parceria com a Universidade do Porto, trazem ao público experiências inusitadas e que muitos não sabem sequer que estão disponíveis aqui mesmo ao lado. Não se assuste com os nomes porque são atividades aptas tanto para quem está mais por dentro dos temas científicos como para o público geral. A New in Porto foi conhecê-las e conta-lhe o que pode esperar.

Começando pela visita ao Observatório Astronómico de Gaia, que fica no Monte da Virgem, este trata-se na verdade do Observatório Astronómico Professor Manuel de Barros. Foi este docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) que o fundou, em 1948, e só há mais dois em todo o mundo, sendo que este é o único que está funcional.

Numa viagem de cerca de 60 minutos pela astronomia, os visitantes vão começar por explorar o Círculo Meridiano de Espelho, um edifício em meia-lua que tem a particularidade de a cúpula abrir para se ver o céu. Numa primeira fase, não estão previstas visitas à noite, pelo que a observação astronómica não será possível, mas o momento da abertura da cúpula será sempre emocionante.

A visita, orientada por estudantes de Física da FCUP, inicia com uma pequena explicação sobre o edifício, as suas funções e até a evolução do cálculo da hora ao longo da História. Sim, inicialmente a função deste espaço era calcular a hora com recurso a tecnologia de ponta para a época, só que rapidamente se tornou obsoleto.

“Queremos que também possa ter uma componente científica e que se as pessoas tiverem curiosidades elas possam ser esclarecidas pelos guias”, diz à New in Porto o responsável, Pedro Pardinhas, para justificar a escolha de alunos da FCUP para guias.

Além do edifício arquitetonicamente diferente, este espaço tem um conjunto de telescópios, naturalmente. Quando foi criado o observatório, funcionavam de forma analógica, mas hoje já é possível integrarem também um sistema digital.

Ciência e paisagem num só espaço

Olhando agora para a outra novidade, o Instituto Geofísico da Universidade do Porto, é uma atividade também orientada por estudantes da FCUP, mas desta vez da área da Geologia. Aqui, a experiência foca-se sobretudo na estação sísmica, feita através de uma parceria com os Estados Unidos da América.

Foi construída em 1962 no âmbito de uma rede mundial de estações sísmicas todas iguais, sempre com a mesma planta e os mesmos equipamentos. A ideia era conseguir controlar os ensaios nucleares feitos no subsolo, mas não foi exatamente assim que os americanos convenceram a FCUP.

“Começou com uma mentira porque o que existe na documentação é o departamento de geologia dos EUA a dizer que tem um projeto científico de grande escala e está a criar uma rede para estudar a sismologia à escala global. Por isso é que é a FCUP contactada e apresentado oficialmente dessa forma”, explica Pedro.

Os registos efetuados nesta estação eram enviados mensalmente para a embaixada em Lisboa, para depois serem passados a microfilme, sendo que os registos em papel eram devolvidos. Tudo isto durou até ao início dos anos 90, sendo que com o fim da Guerra Fria os EUA deixaram que os locais ficassem com as estações sísmicas e os equipamentos. Neste caso, ainda hoje funciona.

“As leituras feitas cá e pelo mundo permitiram um avanço significativo no conhecimento dos fenómenos sísmicos”, diz o responsável, acrescentando: “Tendo interesse militar, acabou por ter benefícios científicos significativos”.

Nesta experiência, com a duração aproximada de uma hora, os visitantes poderão ficar a conhecer mais sobre a história da estação e de como é o seu funcionamento, além de mais detalhes sobre os sismos. É possível perceber como é que se determina o epicentro de um sismo, quais são os diferentes tipos de sismos e até ouvir alguns segundos do som de um sismo em ambiente urbano e na natureza.

A par com os instrumentos e as explicações, há ainda para ver folhas de registos de sismos e até um conjunto de cartazes e equipamentos usados na altura da guerra, onde nem as máscaras e as pastilhas de iodo usadas em casos de ataques nucleares faltam. Não se preocupe se a ciência, a guerra e os sismos não são áreas do seu interesse, esta experiência tem outro atrativo: é neste espaço, em plena Serra do Pilar, que pode ter uma vista privilegiada para as seis pontes que ligam o Porto a Gaia, um acontecimento raro.

De momento, ambas as visitas acontecem apenas aos sábados, com sessões às 15 horas e às 16h30. O preço dos bilhetes é de 12€ e as reservas podem ser feitas através do site da Porto Secret Spots.

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