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M-ODU. O antigo Matadouro de Campanhã vai transformar-se num mega empreendimento

Museus, galerias de arte, escritórios, restaurantes e um espaço para mais de duas mil pessoas, vão dar uma nova vida ao local.
Deverá estar concluído em 2026.

Foi em 2021 que começaram as obras. Agora, quatro anos mais tarde, ainda continuam a decorrer. O local, onde antigamente se matavam animais, vai transformar-se num espaço aberto à zona Oriental do Porto, estando prevista a criação de uma praça pública e 11 edifícios que vão albergar escritórios, dois espaços destinados a galerias de arte e museus e outros dois a restaurantes.

Falamos do antigo Matadouro Industrial de Campanhã, agora designado M-ODU, onde também se prevê a existência de espaços de coworking e salas de conferência. Ao todo são quase 26 mil metros quadrados, oito mil destinados a negócios, cultura e serviços e 12 mil a escritórios e restaurantes. 

Na passada quinta-feira, 23 de maio, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, apresentou a brochura do “projeto âncora” chamado M-ODU, que dará uma nova (e diferente) vida a Campanhã. O processo começou com a retirada do entulho acumulado. De seguida, derrubou-se o que estava obsoleto e, agora, o espaço está a ser preparado para receber a estrutura desenhada pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, responsável pelo Estádio Olímpico de Tóquio e pela reformulação do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em Lisboa. 

“Os trabalhos estão avançados. A parte principal do Matadouro estará pronta ainda este ano. A única derrapagem relaciona-se com o edifício que vai fazer a ponte pedonal de ligação à zona do Estádio do Dragão. Esse atraso tem uma razão técnica: verificou-se que o muro de apoio terá de ser reforçado. Estava a fazer uma ‘barriga’, algo que não era expectável”, explicou o autarca durante a visita à empreitada no antigo matadouro.

O responsável pelo executivo adiantou ainda que as obras deverão estar concluídas até ao final de 2025, sendo que os espaços serão posteriormente entregues para serem equipados e adaptados às atividades, num processo que levará de 12 a 15 meses. A reconversão do antigo matadouro faz parte de um plano maior da autarquia para revitalizar e valorizar a zona oriental portuense, que inclui outras infraestruturas como o já inaugurado Terminal Intermodal de Campanhã. 

“A cidade tem de mudar por aqui. Já não vai mudar pela parte mais consolidada, o centro histórico não vai mudar muito. Havia nas pessoas daqui um sentimento de desespero, de abandono, sentiam que ninguém olhava para elas. O que temos feito nos últimos anos, por um lado, é fazer com que as pessoas acreditem que há um futuro para este território”, afirmou o autarca, reforçando que o projecto do antigo Matadouro vai fazer “uma ligação entre o contemporâneo e a memória do edifício”.

Neste último aspeto, na nave central do complexo serão mantidas as estruturas metálicas onde o gado era antigamente transportado, em alusão à atividade que ali decorreu ao longo de 70 anos. Esta nave percorre o complexo de uma ponta até à outra e ligará os restantes edifícios que vão acolher os espaços empresariais, comerciais e de lazer, assim como aquelas que vão ficar sob a gestão da autarquia. Num dos edifícios, será instalada a nova esquadra da PSP.

O projeto prevê ainda a construção de uma nova passagem superior entre o antigo matadouro e a estação de metro do Dragão, atravessando a Via de Cintura Interna (VCI). A par da ponte, outro dos elementos do empreendimento, assinado pelo arquiteto japonês em parceria com arquitetos portuguesas da OODA, é a cobertura. 

O japonês admitiu que um dos maiores desafios foi garantir a preservação do edifício. “Não foi fácil, mas tentámos encontrar a beleza neste edifício simples e conseguimos preservar grande parte do edificado. O novo edifício vai dar um novo entusiasmo à cidade”, assegurou, acrescentando que tentou otimizar o máximo possível a sustentabilidade do projecto, com a “luz e ventilação natural”.

Quanto à parte cultural, prevê-se que um dos edifícios acolha o Museu das Convergências, onde vai estar a coleção particular de Távora Sequeira Pinto, com mais de 1.100 peças de pintura, escultura, mobiliário, objetos de uso quotidiano, têxteis e outros tipos de peças e obras.

O antigo complexo abrigará também uma extensão da Galeria Municipal do Porto, com um acervo e depósito de obras de arte, um espaço educativo e outro de cultura e práticas sociais. Haverá ainda uma área para o projeto Ateliers Municipais, destinado a artistas residentes no Porto. A obra contou com um investimento de mais de 40 milhões de euros assegurados pela Mota-Engil, empresa que ficou encarregue da reconversão e exploração deste espaço por três décadas, regressando depois para as mãos do município do Porto. 

Se ficou curioso, carregue na galeria para ver algumas imagens do projeto do M-ODU.

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