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Nova ponte entre Porto e Gaia está a gerar polémica

O concurso está suspenso devido a ações judiciais interpostas por alguns dos concorrentes.
Nova ponte em discussão

Desde o início deste ano que ouvimos falar da construção de uma nova ponte sobre o rio Douro, que ligará o Porto e Vila Nova de Gaia e que servirá para facilitar as deslocações entre as duas margens. As últimas propostas prevêem que a ponte servirá a linha do metro, entre a Casa da Música e Santo Ovídio e até já estão escolhidos os projetos finalistas, mas nem tudo parece tão simples.

Apesar de serem conhecidos desde outubro os três melhores projetos a concurso, o processo de seleção tem estado a ser criticado por várias partes, sendo que neste momento está suspenso “depois de o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto ter aceitado ações interpostas por alguns concorrentes”, como explica a autarquia no seu site.

Entre as principais críticas feitas estão o facto de todo o processo estar a desenrolar-se muito rapidamente, o tipo de caderno de encargos proposto, a falta de diversidade dos projetos, a falta de interação com as diferentes partes interessadas ou até a possibilidade de a ponte servir apenas o metro e o acesso pedonal. O presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, respondeu às críticas durante a conferência “Margens que se ligam”, a 18 de novembro.

“Esta é uma linha fundamental para a Área Metropolitana do Porto conseguir atingir aquilo que são os desafios do futuro: tornar-se mais competitiva do ponto de vista da atratividade económica, da coesão social e de se tornar uma economia mais hipocarbónica, à frente dos outros”, disse.

O projeto ao qual foi atribuído o primeiro lugar do concurso é liderado pelo consórcio Edgar Cardoso: Laboratório de Estruturas. A ideia defendida por este grupo é a de ter uma ponte integrada na paisagem envolvente, em especial da Ponte da Arrábida, ali mesmo ao lado. A proposta passa ainda por utilizar o mínimo de apoios possível nas encostas, tendo ainda assim um arco leve de betão.

Algumas das críticas prendem-se com o facto de a ponte entrar no Porto, através de um túnel ou de um viaduto e de estar prevista essa localização para a zona do pólo do Campo Alegre, entre a Casa Cor-de-Rosa e a antiga casa de Agustina Bessa-Luís.

“Face à necessidade de avançarmos neste processo, reconhecendo que há imperfeições no processo e matéria que tem interesse em ser ajustada, valia a pena, para o desenvolvimento deste projecto, termos um grupo que o acompanhasse, onde poderia ter assento a Universidade do Porto”, apontou o vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Pedro Baganha, citado pelo jornal “Público”.

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, por sua vez, salienta que as imposições dos tempos atuais e a necessidade de aproveitar os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência fazem com que o processo tenha que decorrer de forma mais célere, o que levará à necessidade de cedências de várias partes.

“A escolha desta altura da ponte e desta entrada da ponte na malha urbana do Porto causa, necessariamente, impactos a nível do património edificado da cidade do Porto, causa fortes impactos na Universidade [do Porto], no campus da Universidade, e em propriedades privadas, algumas das quais têm particular valor pelas pessoas que lá viveram”, disse, citado pelo “Diário de Notícias”.

O autarca de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, defende que o seu interesse é “ter a segunda linha de Gaia, seja quem for o arquiteto ou engenheiro, salvaguardando o que for salvaguardado, mas não evitando que uma ponte tem sempre algum impacto”. Ainda assim, não deixa de apontar o dedo à forma como os concursos têm que decorrer.

“Não escondo a minha opinião: numa obra deste género, a contratação pública deveria assumir o mesmo critério material, para a escolha de um engenheiro, arquiteto, ou equipa, o mesmo mecanismo que assume para um vulgar concerto de verão. Não sendo assim, não podendo escolher, que sejam claros os critérios para serem objetivas as decisões.”

A adjudicação do trabalho da nova ponte deverá ser feita no início de dezembro, sendo que a obra deverá estar concluída até ao final de 2025. Ainda assim, estes são prazos que poderão ainda sofrer algumas alterações devido ao atual estado do processo.

Carregue na galeria para ver as propostas selecionadas, até agora, e que se apresentam como possíveis projetos para a nova ponte entre Porto e Gaia.

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