na cidade

Rui foi burlado e vendeu o carro. Agora leva-nos a viajar de buggy na Peneda Gerês

Contra todas as expetativas, a Arcos Tour tornou-se numa das maiores empresas deste setor em Portugal.
Chama-se Arcos Tour.

Rui Ribeiro nasceu e cresceu em Arcos de Valdevez, andou durante 13 anos num rancho folclórico e desde miúdo que tem uma paixão louca por lobos e natureza. Trabalhou, durante uns tempos, numa cafetaria do concelho, mas os clientes (muitos deles turistas) pediam-lhe muito mais do que um simples café. Queriam saber o que podiam fazer e conhecer em Arcos de Valdevez e o minhoto, que tem uma “grande paixão pela terra”, nunca se limitou a responder às perguntas.

“Havia muita procura turística. Na altura, pensei que isto precisava de uma solução. Em 2017, pensei em criar uma aplicação para responder às necessidades”, começa por contar à NiT, Rui Ribeiro, de 27 anos.

A aplicação, que mais tarde ganhou o nome de Arcos Tour, pretendia mostrar aos turistas nacionais e estrangeiros os pontos mais importantes da região. Pouco depois, a ideia da app cresceu e passou para as estradas, com circuitos turísticos em tuk tuk e jipe, com o apoio da empresa D’alma Tours.

“Na altura os tuk tuks estavam a surgir em Portugal e decidi comprá-los em 2018. Como estamos numa zona montanhosa, os tuk tuks deram lugar aos buggys”, recorda. Foi em 2019 que o minhoto decidiu dar o próximo passo e abrir oficialmente a empresa Arcos Tour — só não sabia que ia ser tão difícil. 

Quando avançou com o projeto de financiamento, teve de enfrentar uma pandemia que atrasou os negócios e, ainda antes disso, foi burlado e obrigado a vender o carro que tanto gostava. “Com toda aquela emoção, ia comprar um buggy a título pessoal, mas foi burlado. Foi um esquema muito bem planeado, que englobou uma empresa transportadora e roubaram 5 mil euros”. Foi nesta altura que as coisas começaram a tornar-se bem mais difíceis.

“Na altura tinha um carro que gostava muito e fui obrigado a vendê-lo, mas até isso foi complicado”, revela. Além de o vender muito abaixo do preço de mercado, ainda teve de se deslocar duas vezes a Lisboa, no mesmo dia, porque se tinha esquecido do documento. Foram 1600 quilómetros num só dia.

“Lá consegui recuperar o dinheiro e decidi comprar um jipe. Comecei por fazer visitas guiadas, pequenas tours de cinco pessoas e fazia também atividades com os buggys. Mas depois chegou a pandemia”, conta. Em 2020 e 2021, a atividade foi praticamente inexistente — e lucro nem vê-lo.

“Quando o projeto de financiamento foi aprovado, estava a chegar o primeiro caso de Covid-19 na Europa. Não dava para voltar atrás e só pensei ‘seja o que Deus quiser’. Investimos, mas nesses primeiros dois anos não tivemos lucro nenhum”. Entretanto, quando as coisas começaram a melhorar, decidiu deixar para trás os jipes e focar-se apenas nas tours com os buggys — e foram um fenómeno.

Em 2022, o primeiro ano completo de trabalho, a Arcos Tour foi a empresa portuguesa que mais atividades realizou e a segunda que mais faturou. “Foi um ano fora do normal”, diz. E os próximos meses prometem ser iguais.

Atualmente, a empresa disponibiliza três buggys, mas está em processo de financiamento para comprar um quarto veículo nos próximos meses, mas não passará desse número. Rui Ribeiro não quer ultrapassar os quatro buggys por questões ambientais, até porque estão a percorrer paisagens naturais que devem ser preservadas ao máximo e é importante que exista um equilíbrio. “Dentro de cinco ou seis anos, esperamos fazer a conversão total da frota para elétricos”.

Quanto aos passeios promovidos pela Arcos Tour, existem três disponíveis, todos com um trilho pré-definido. Os clientes podem escolher o que tem a duração de uma hora (70€ para duas pessoas e 100€ para quatro), que passa por algumas zonas de desnível e muita lama em certas alturas do ano, mas oferece vistas panorâmicas sobre o Vale do Vez. 

A tour de duas horas (120€ para duas pessoas e 160€ para quatro) é a mais vendida da empresa e permite alcançar zonas da serra incríveis, chegando quase aos mil metros de altitude, onde poderá ver paisagens panorâmicas. “Durante as tours fazemos sempre uma paragem e passamos por zonas muito verdes e com muita floresta”.

Durante os meses de julho e agosto, é possível escolher o Premium Sunset (150€ para duas pessoas e 190€ para quatro) que, como o próprio nome indica, é uma atividade de duas horas mais exclusiva, que acontece durante o pôr do sol. “À hora que saímos, é a hora em que os animais mais andam à solta. Durante esse percurso normalmente avistamos coelhos, raposas, gato selvagem. Também já avistamos crias de lobo ibérico, javalis, cavalos e o esquilo vermelho, um animal que já esteve em vias de extinção”.

De seguida, carregue na galeria para ver algumas das tours de buggy da Arcos Tour.

ver galeria

MAIS HISTÓRIAS DO PORTO

AGENDA