Durante décadas, o Mercado de São Sebastião fez parte da rotina da cidade. Localizado num ponto estratégico entre o casario histórico e a Avenida Dom Afonso Henriques, o espaço nasceu para servir os moradores e comerciantes da zona, funcionando como um pequeno polo de abastecimento no coração do Porto. Com o tempo, porém, o mercado perdeu vitalidade. As dinâmicas urbanas mudaram, muitos vendedores abandonaram o espaço e, há vários anos, o mercado encontrava-se fechado, degradado e praticamente sem vida. O edifício, entregue ao abandono, tornou-se ponto de passagem apressada e um lugar associado a problemas de insegurança, sobretudo devido à presença frequente de consumidores de estupefacientes — uma realidade que há muito preocupava quem ali vive.
A 21 de novembro, esse cenário mudou radicalmente. Sem esperar por grandes planos, o Município avançou com uma intervenção de caráter provisório que devolveu o espaço à cidade — literalmente. Retirou-se o betão, repôs-se o terreno e o antigo Mercado de São Sebastião transformou-se num jardim público, aberto, luminoso e convidativo. Nas palavras do presidente da Câmara, Pedro Duarte, este é “um bom exemplo do que pode ser uma transformação urbana: locais degradados que induzem comportamentos inadequados são transformados no oposto, num espaço de comunidade”.
A obra, a cargo da GO Porto, representou um investimento de cerca de 285 mil euros e permitiu criar uma zona verde que suaviza a ligação entre o tecido histórico e a Avenida Dom Afonso Henriques, também conhecida como Avenida da Ponte. O objetivo foi criar um espaço polivalente e descontraído, ideal para o convívio, o descanso e a contemplação, enquanto não avança o projeto definitivo que está a ser desenvolvido pelo arquiteto Álvaro Siza.
Por se tratar de uma solução transitória — que antecede uma intervenção de maior escala — não foram plantadas árvores, mas muito foi feito para devolver qualidade e dignidade ao local. O novo jardim inclui pavimentos em saibro estabilizado, zonas relvadas, arbustos e áreas de estar equipadas com bancos. Foram recuperados a luminária e o fontanário, criados percursos pedonais mais fluidos, instalados corrimãos, guardas e rampas, e introduzido um novo sistema de rega. As infraestruturas elétricas e hidráulicas também foram ajustadas para garantir que o espaço pudesse ser usufruído em segurança.
Além da requalificação física, a transformação tem um impacto social evidente. Para Pedro Duarte, o novo jardim contribuirá para uma maior sensação de segurança entre os residentes, substituindo atividades problemáticas por um espaço de uso comunitário e presença contínua de pessoas. Ainda assim, o autarca reconhece que a mudança urbanística é apenas parte da resposta necessária: “São soluções que ajudam, mas temos que fazer muito mais. A estratégia de combate à droga tem de ser diferente da que temos tido”.
Até que o projeto definitivo para a Avenida da Ponte chegue, o antigo Mercado de São Sebastião tornou-se, finalmente, um lugar de encontro — e um pequeno pulmão verde no centro do Porto. Um espaço que, após anos ao abandono, volta a pertencer à cidade e à vida de quem a percorre todos os dias.

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