na cidade

Não é um hotel nem um restaurante nem uma sala de espetáculos, é o M.Ou.Co

O novo espaço cultural do Porto não tem apenas uma definição, alberga tudo isto num conceito, onde a música é o centro.
A zona exterior.

Já imaginou um sítio onde pode tomar uma bebida com os amigos, fazer uma refeição completa, ouvir um disco descansadamente, ir a um concerto ou até dormir? Provavelmente não pensou que isso pudesse estar tudo no mesmo local, mas é possível. Essa ideia existe e chama-se M.Ou.Co, o novo espaço cultural do Porto, que abriu em soft opening em agosto.

O projeto foi criado entre amigos — Ramón Rodriguez, Mickael Petit e Sofia Miró — e é com outros amigos que tem crescido também. Por todos os lados há detalhes que foram sugestões de amigos ou que foram feitos por eles com as próprias mãos. Isso acaba por refletir-se também na forma como o espaço se torna acolhedor.

Apesar de a ideia ter mais de três anos e ter sido muito bem pensada pelos responsáveis, só no último verão é que foi possível começar a abrir o espaço. Começar a abrir é mesmo o termo correto porque, mais do que um soft opening, o M.Ou.Co é um conceito vivo, já que vai mudando e evoluindo à medida que o tempo passa. Nada aqui é estático.

“É um projeto completo. É um espaço cultural que integra uma sala de espetáculos, um hotel, um restaurante, uma musicoteca e um ambiente descontraído sempre com a música como elemento convergente. Aqui pode esperar-se diferentes experiências sonoras, gastronómicas e de estar num espaço agradável”, começa por explicar a diretora cultural, Sofia Miró.

Na rua, o edifício quase passa despercebido entre as restantes casas da zona do Bonfim. No átrio de entrada nota-se logo que algo ali é diferente e que há uma porta aberta para a rua que nos permite entrar numa espécie de lugar encantado onde a música é a rainha.

“O espaço está pensado para ser menos óbvio. Em vez de colocarmos uma decoração musical, fizemos um conceito musical, então dentro do espaço vamos encontrar diferentes tipos de coisas como a musicoteca, que é curada por dez artistas portugueses que trouxeram o conceito da música e o porquê de começar com aqueles discos. De vez em quando vão estar no espaço a falar do porquê de escolherem aqueles discos.”

Quem vai pela porta da esquerda conhece a parte mais pública do espaço e quem entra pela da direita vai para uma ala mais privada à qual têm acesso os hóspedes que vão ficar na zona hoteleira do projeto. Ao todo são 62 quartos, distribuídos por diferentes tipologias, desde as mais simples com pouco mais do que uma cama e uma casa de banho até às mais complexas, que podem ter kitchenette, varanda e até um pequeno jardim privado.

Entre todos estes quartos, o denominador comum é que todos têm nomes de músicas e ligação a viagens, sublinhadas por serigrafias personalizadas e colocadas nas paredes. Além disso, há um móvel especial com uma coluna e amplificador onde pode ligar uma guitarra ou um teclado, ambos disponíveis para pedir na receção. À disposição dos hóspedes estão também gira-discos e discos que cada um pode requisitar para ouvir confortavelmente no quarto durante a estadia.

Regressando às áreas mais públicas do M.Ou.Co, uma das que chama logo a atenção é a musicoteca, uma zona com cadeirões e uma lareira onde pode confortavelmente ouvir um dos mais de 300 discos disponíveis ou ler um dos livros que também aí estão nas estantes. Neste espaço podem ainda ser feitas sessões mais intimistas com artistas ou pequenos concertos.

Andando um pouco pelo corredor vai encontrar a zona de bar, que serve tanto para poder trabalhar durante o dia como para beber uns copos com os amigos à noite. Há até um moinho de café com uma mistura própria que pode comprar e levar para casa. Tudo isto apoiado por uma esplanada com bastante espaço. O certo é que, por onde quer que ande, vai encontrar música e algo a ela relacionado.

No andar de baixo está o restaurante, que serve menus mais simples ao almoço — por 12,50€ com entrada ou sopa, prato principal e café ou 16€ para a refeição completa — e vai passar a ter uma carta mais completa ao jantar.

Ainda no exterior, há uma piscina que tem a particularidade de ter água salgada. Além de parecer um pequeno oásis para descansar mesmo no centro da confusão da cidade. Nessa zona está também instalado o projeto da saúde do músico, que pretende ajudar músicos com temas mais personalizados como correção de postura conforme os instrumentos ou até questões de preparação ou de estudo mais aprofundado no campo da saúde.

O andar mais abaixo de todos é aquele que torna o M.Ou.Co ainda mais distinto de tudo aquilo que já foi visto. É aí que está uma sala de espetáculos que pode levar até 300 pessoas. Este espaço é apoiado por um pequeno bar, dois camarins e ainda várias salas de ensaios de diferentes tamanhos onde os músicos podem desenvolver o seu trabalho.

O espaço cultural que aqui apresentamos tem, claro, uma programação cuidada que vai mudando todos os meses e acompanha as estações do ano. Aqui será possível encontrar concertos de grandes artistas nacionais e estrangeiros, tertúlias, concertos e sessões mais intimistas ou até projetos únicos. Tudo isto tanto no interior como no exterior. Onde quer que vá, sabe que neste espaço encontrará música. E o objetivo é continuar sempre assim, numa espécie de partitura que não tem fim.

“O M.Ou.Co quer ser mesmo uma plataforma, um espaço de vivência onde as pessoas possam estar, experienciá-los de diferentes maneiras. Ou seja, daqui a um ano ou dois gostaríamos que as pessoas viessem para o M.Ou.Co porque sim, não importa o que aqui está a acontecer, elas querem estar no espaço. ‘Tem um concerto que não sei de quem é, mas ali vai ser bom’”, sublinha Sofia.

Carregue na galeria para descobrir mais detalhes deste novo espaço cultural da cidade.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Frei Heitor Pinto, 65
    4300-252 Porto
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
urbano

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